Política migratória da UE atenta contra vidas humanas
MSF denuncia condições dos refugiados na Grécia
Condenados à indigência

A organização Médicos sem Fronteiras (MSF) denunciou, dia 20, em Atenas a «falta de vontade política» para garantir condições de vida dignas aos refugiados bloqueados na Grécia.

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Num relatório sobre as condições de vida e de saúde dos refugiados, a secção helénica da ONG manifestou o receio de que milhares de pessoas estejam condenadas a viver em acampamentos insalubres por um longo período.

A MSF assegura que, apesar da grande quantidade de dinheiro disponível, as autoridades gregas, a UE e as organizações humanitárias não conseguiram criar condições de acolhimento dignas.

«Dizem-nos que gastaram centenas de milhões de euros com os refugiados mas esse dinheiro é destinado à Turquia [no âmbito do acordo UE-Turquia em vigor desde Março] e não a criar condições de vida dignas na Grécia», declarou em conferência de imprensa Loïc Jaeger, coordenador da missão da MSF na Grécia.

O responsável dos programas médicos da MSF na Grécia, Apóstolos Veisis, observou por sua vez que o presidente da Comissão europeia, Jean-Claude Juncker, «prometeu enviar para a Grécia quatro mil polícias, guardas-costeiros, tradutores, mas nem um único profissional de saúde».

«O mais preocupante» frisou ainda Jaeger, «é os dirigentes da UE e da Grécia considerarem “um êxito” o que se passa aqui».

O relatório, intitulado «Grécia em 2016: gente vulnerável deixada para trás», alerta para o aumento do risco de doenças do sistema respiratório, com a aproximação do Inverno, de epidemias, apontando a ausência de serviços médicos para grupos mais vulneráveis ou as dificuldades dos refugiados em acederem a hospitais públicos.

«A resposta dos programas da UE é demasiado lenta e o sistema público de Saúde na Grécia está sobrelotado. Em consequência, as pessoas mais vulneráveis estão sem os cuidados de que necessitam».

Outra preocupação relaciona-se com o estado de saúde psíquico dos refugiados que ficaram encurralados na Grécia após o encerramento da «rota dos Balcãs» no início do ano.

«Têm a sensação de que os esqueceram. Ninguém lhes dá indicações sobre quanto tempo leva a processar o seu pedido de asilo, ninguém lhes diz se algum dia vão sair do acampamento. Vivem num gueto, sem tê-lo escolhido, e isso provoca-lhes uma profunda depressão», explicou Cristina Sideri, psicóloga do centro dos MSF no acampamento de Malakasa, a 60 quilómetros de Atenas.

No relatório, a ONG pede à UE que financie com urgência programas para a melhoria das condições sanitárias dos refugiados, e às autoridades gregas que lhes dêem alternativas de alojamento em centros para facilitar a sua integração.

A organização refere que mais de 50 mil refugiados e migrantes estão em acampamentos na Grécia, a maioria dos quais está sobrelotada em 200 por cento.

Presente em cerca de 20 locais em toda a Grécia, a MSF iniciou recentemente uma campanha de vacinação, com o apoio do Ministério da Saúde helénico, que já abrangeu mais de sete mil crianças entre os seis e os 15 anos.




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