Mossul e Alepo <br>entre dois pesos

A Rússia acusa a coligação liderada pelos EUA de cometer crimes de guerra na batalha pela reconquista de Mossul ao Estado Islâmico (EI). Em causa está o bombardeamento de uma procissão fúnebre, do qual resultaram dezenas de civis mortos, incluindo mulheres e crianças, numa aldeia onde não existiam contingentes jihadistas.

Moscovo reitera ainda que a integridade territorial do Iraque é inegociável, questão colocada no assalto a Mossul pela participação da Turquia nos combates, não autorizada por Bagdad. Ancara coordena operações com Washington, admite o Pentágono, e assume uma agenda própria que passa por consolidar posições no Curdistão iraquiano e desbaratar forças curdas (o que já sucedeu).

Milicianos curdos, sunitas, xiitas e exército iraquiano conseguiram, ao fim de uma semana, sitiar Mossul. As Nações Unidas não registam um êxodo popular massivo de Mossul e atribuem-no ao facto de o EI estar a usar civis como escudos humanos.

O mesmo afirma o governo sírio e a Rússia no caso da ofensiva militar para a reconquista de Alepo. Contudo, o uso de civis como escudos humanos por parte dos extremistas islâmicos nesta cidade síria não é aceite pela «comunidade internacional», que acusa a Síria e a Rússia de bombardeamentos indiscriminados.

O Kremlin nega e anteontem fez saber que já não realiza qualquer ataque aéreo sobre Alepo desde dia 18. A Rússia denuncia, igualmente, que os corredores criados para permitir a evacuação da população e, até, para a rendição de «rebeldes», foram pouco utilizados durante o período da trégua humanitária que decretou, sugerindo, uma vez mais, que os jihadistas estão a impedir os civis de escaparem de Alepo.




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