• João Frazão
    Membro da Comissão Política

A orientação é definida com o contributo de todos e é todos aceite
Agora, o XX Congresso!

Quando esta edição do Avante! chegar às bancas, estaremos a menos de um mês do XX Congresso, que se realiza a 2, 3 e 4 de Dezembro no Complexo Municipal de Desportos – Cidade de Almada. Não apenas por isso, o XX Congresso constitui a grande prioridade do trabalho do Partido nestas semanas que nos separam da sua realização.

Prioridade para assegurar o envolvimento e a participação do maior número de membros do Partido, prosseguindo o debate realizado na primeira fase, promover a leitura e a apreciação crítica das Teses, dinamizando as propostas de alteração com vista a melhorar a Resolução Política a aprovar, eleger os delegados, mobilizar convidados – tarefas de toda a organização partidária. Prioridade também para cada um dos militantes, a quem está colocada a exigência da contribuição, com a sua opinião, a sua sensibilidade, o seu saber, a sua consciência de classe, para o acerto das orientações do Partido.

É necessário lembrar que a longevidade dos 95 anos do PCP, o acerto geral das suas decisões e orientações, mesmo nos mais difíceis momentos da sua história, o prestígio que granjeou e mantém junto da classe operária, dos trabalhadores e do povo se deve, não a termos uma direcção constituída por iluminados que acertam sempre no que decidem e fazem, mas a que as sucessivas direcções tenham sabido contar com esse sentir, essa opinião, esse saber de gerações e gerações de militantes.

Só é possível ter orgulho num Partido assim, onde a opinião de cada um, independentemente da sua origem ou responsabilidade, é ouvida e tida em conta no quadro do grande colectivo partidário que somos, e só assim se entende que os documentos sejam, depois de tão profundo debate interno, em geral aprovados por largas expressões maioritárias, quantas vezes caricaturado como «unanimismo do PCP».

Este supremo exercício de democracia interna é a base do nosso funcionamento assente no desenvolvimento criativo do centralismo democrático, em que uma única direcção central assegura uma única orientação geral. Orientação definida com o contributo de todos e que, por isso, por todos é, naturalmente, aceite.

Prioridade que, tendo presente a sua singularidade, não significa que se feche para Congresso, antes reclama um significativo esforço no trabalho de direcção para assegurar as múltiplas tarefas com que estamos confrontados.

A luta, o País e o mundo

Pelo nosso Congresso estão já a passar, nas muitas reuniões que se realizam de Norte a Sul do País, e estarão presentes no Pavilhão de Almada, os problemas, interesses e aspirações dos trabalhadores e do povo português, marcados pelo percurso de décadas de política de direita, de integração capitalista no que hoje é a União Europeia e de reconstituição do capitalismo monopolista, da natureza de classe de cada um desses processos, bem como da profunda ofensiva ideológica em curso que visa, em última análise, a aceitação como inevitável, desse rumo de desastre.

Naqueles três dias falar-se-á do Partido e da forma de o reforçar, dos recrutamentos e da integração e responsabilização dos novos militantes, do trabalho realizado e a realizar pelas células de empresa existentes e a criar, da campanha de difusão e venda do Avante! que temos em curso, do trabalho para assegurar a independência financeira do Partido, condição indispensável para manter a sua independência política e ideológica.

Falaremos das rupturas que são necessárias para os caminhos de desenvolvimento e progresso do nosso País, e do processo complexo e eventualmente prolongado de construção da alternativa patriótica e de esquerda, que se afirma a cada dia que passa como indispensável e inadiável, mas que exige a dinamização da luta de massas, em torno dos problemas concretos, nas empresas e locais de trabalho, e de objectivos e reivindicações mais gerais.

Ao nosso Congresso virão ainda os ecos da exploração e a luta e a acção do trabalhadores e dos povos de todo o mundo, pela voz das muitas delegações de partidos comunistas e operários que nos honrarão com a sua presença e que darão conta do prestígio internacional do nosso Partido.

Um Congresso do PCP é o Partido a prestar contas ao Partido e a definir orientações e linhas de trabalho para o futuro.

Seguramente ficarão desiludidos os profissionais do espectáculo mediático que prefeririam as cenas de faca e alguidar de uns militantes contra os outros ou o cortejo de seguidores deste ou daquele chefe ou candidato a chefe.

Ficarão ainda mais desiludidos exactamente porque, como define o seu lema, ao invés disso, este XX Congresso será um importante marco para o reforço da ligação do PCP aos trabalhadores e ao povo, na perspectiva da luta pela construção da democracia e do socialismo.

 



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