Presidente eleito promete lutar contra a pobreza
Vitória de independente abre crise política
na Bulgária
Conservadores derrotados

A vitória de Rumen Radev nas presidenciais da Bulgária levou à demissão do governo conservador, abrindo uma crise política que deverá prolongar-se nos próximos meses.

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Rumen Radev, antigo piloto e ex-comandante da Força Aérea, venceu a segunda volta das presidenciais búlgaras, realizada dia 13, com uma participação de 42 por cento.

Segundo os resultados oficiais publicados dia 16, o general obteve 59,35 por cento dos votos, contra 36,17 por cento de Tzetzka Tsacheva, actual presidente do parlamento e candidata apoiada pelo partido do governo, Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB).

Reconhecendo a derrota, o primeiro-ministro Boïko Borissov, que dirige o país desde 2009, com um interregno de ano e meio, anunciou a demissão considerando que a coligação que suporta o executivo perdeu a maioria social de apoio.

«O voto foi um sinal claro sobre a vontade de mudança do eleitorado», declarou Borisov, para quem a actual coligação, integrada pelo Bloco Reformista (direita) e pelos nacionalistas da Frente Patriótica, perdeu legitimidade para governar.

O actual governo deverá no entanto permanecer em funções até à nomeação de um novo executivo.

Porém, os dois principais partidos, o GERB e o Partido Socialista Búlgaro, já recusaram eventuais tentativas para constituir uma nova equipa governativa no actual quadro parlamentar.

Por seu turno, o presidente em funções, Rosen Plevneliev, está impedido de dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas durante os últimos três meses do mandato.

O próximo sufrágio só poderá ser convocado pelo novo chefe de Estado, que assumirá o cargo a 22 de Janeiro, circunstância que remete a votação para finais de Março ou início de Abril, de acordo com os prazos e procedimentos constitucionais. Até lá o país terá de viver sem orçamento aprovado.

Um ex-militar na presidência

Rumen Radev começou a sua carreira na Força Aérea em 1987. Após chegar a general tornou-se comandante da instituição em 2014. Dez anos antes, tinha feito estudos nos Estados Unidos, graduando-se com distinção no Air Command and Staff College (ACSC), na base de Maxwell no Alabama.

Durante a campanha, em que foi apoiado pelo Partido Socialista Búlgaro, assumiu a sua total inexperiência política, vendo-a como «uma oportunidade para desfazer em pedaços “status quo” político».

«Em toda a minha vida só fiz um juramento: servir a pátria que agora necessita de uma pessoa de carácter estável e duro», declarou Radev que elegeu como prioridades a luta contra a pobreza e a garantia da segurança nacional.

Defendendo a manutenção da Bulgária no quadro da UE e da NATO, salientou que «a pertença a estas organizações não significa que se deve considerar a Rússia como inimigo». Neste sentido manifesta-se contra as sanções impostas à Rússia e afirma que a bandeira russa hasteada sobre a Península da Crimeia é «uma realidade que devemos aceitar».




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