Aconteu
Portugueses têm falta de dinheiro

Mais de metade dos consumidores portugueses (51%) afirma que não paga as facturas dentro do prazo por falta de dinheiro.
De acordo com um estudo da consultora Intrum Justitia, divulgado dia 24, quase um terço dos inquiridos considera que «não tem dinheiro suficiente para ter uma vida digna».
O inquérito, que abrangeu 21 317 pessoas de 21 países europeus, dos quais 1010 portugueses, revelou ainda que 58 por cento dos cidadãos lusos não conseguem poupar dinheiro todos os meses, e 46 por cento acreditam que terão de ajudar financeiramente os seus filhos, mesmo quando estes saírem de casa.
As dificuldades financeiras levam muitos a pensar na emigração, embora o número daqueles que ponderam sair do País (17%), tenha diminuído fortemente em comparação com o ano passado (40%).


Procura insuficiente inquieta PME

Uma em cada três pequenas e médias empresas portuguesas (PME) identifica como principais riscos para o seu negócio a falta de procura e o excesso de «stocks», indica o estudo «Zurich PME: Riscos e Oportunidades em 2016», divulgado dia 24.
O inquérito, realizado pela GFK recolheu resultados semelhantes junto das PME espanholas (42%), suíças (39%), austríacas (38%) e italianas (36%).
Em Portugal foram inquiridas 200 empresas representativas, que empregam até 250 trabalhadores a tempo inteiro, através de entrevistas telefónicas a responsáveis pela gestão.
O elevado nível de concorrência ou os preços sujeitos a «dumping» constituem a segunda maior preocupação dos pequenos e médios empresários portugueses.


Património Mundial há 30 anos

O município de Évora iniciou, dia 25, um programa comemorativo do 30.º aniversário da classificação da cidade como Património Mundial pela UNESCO, que se prolonga até 6 de Dezembro.
As celebrações foram marcadas por uma sessão evocativa no Teatro Garcia de Resende, à qual se seguiu um concerto pela Orquestra Philarmónica de Lisboa.
No sábado, foi estreado filme-documentário «Marfim», de Luís Godinho, no Auditório Soror Mariana, e no dia seguinte as ruas da cidade alentejana foram invadidas pela meia-maratona.


Cante em festa

Para celebrar o 2.º aniversário da classificação do cante alentejano como Património da Humanidade, o município de Serpa, a Casa do Cante e a Casa do Alentejo promoveram a 2.ª edição do CanteFest, que decorreu entre os dias 24 e 27.
Em Lisboa, na Casa do Alentejo, foi promovida a exposição de fotografia «Cante no Pátio Árabe», apresentada a agenda digital da plataforma Rota do Cante de Serpa e lançada a obra «O Cante no Feminino». Um desfile de ranchos e grupos corais passou ainda pela Rua das Portas de Santo Antão.
Em Serpa, a par de outras iniciativas, decorreu a primeira Feira do Património Cultural Imaterial e do Cante Alentejano, no Pavilhão de Exposições da cidade, onde estiveram representados grupos corais, entidades ao movimento coral, promotores turísticos e produtores de vinho do concelho.


Morreu Marcos Ana

Faleceu na quinta-feira, 24, aos 96 anos, o comunista e poeta espanhol Marcos Ana (Fernando Macarro Castillo). A última despedida ao histórico dirigente do Partido Comunista de Espanha (PCE) decorreu no sábado, 26, no Auditório Marcelino Camacho. Cerca de cinco mil pessoas compareceram à homenagem e muitas tiveram que aguardar fora do anfiteatro à chuva, noticiou o jornal Mundo Obrero.

Em mensagem dirigida ao Comité Federal do PCE, o Secretariado do Comité Central do PCP expressou as «sentidas condolências e os sentimentos de fraterna solidariedade dos comunistas portugueses» pelo desaparecimento do «corajoso combatente da liberdade contra a ditadura franquista e prestigiado intelectual poeta comunista».

Marcos Ana foi o preso político espanhol que mais anos seguidos permaneceu nos cárceres franquistas. Os 23 anos de reclusão ininterrupta a que foi sujeito pela ditadura fascista espanhola só são comparáveis aos cumpridos pelo também preso político sul-africano Nelson Mandela (27 anos).

Nascido em 1920, nos arredores de Madrid, no seio de uma família católica, Marcos Ana ingressou durante a sua juventude nas fileiras socialistas e em 1937 no PCE, tendo servido como comissário político durante a Guerra Civil Espanhola. Preso após a derrota da República Espanhola e sujeito a bárbaras torturas e à incomunicabilidade, foi libertado em 1961 em resultado de uma intensa campanha pela sua amnistia protagonizada, entre outros, pelos poetas Rafael Albertí e Pablo Neruda, e pelo pintor Pablo Picasso. Com este último dirigiu a partir de Paris o Centro de Informação e Solidariedade dedicado à solidariedade e em defesa da libertação dos presos políticos espanhóis.

De entre um obra literária particularmente notável no campo da poesia, destaca-se o livro «Digam-me como é uma árvore – Memória da prisão e da vida», editado em Portugal em 2009, escrito com o objectivo de impedir o apagamento da memória e a reescrita da história do horror fascista, como referiu ao Avante! em entrevista publicada em Junho de 2009.



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