«Nenhuma arma, nenhuma força é capaz de vencer um povo que decide lutar pelos seus direitos»
Fidel Castro deixa legado de firmeza revolucionária
Venceremos!
«É com profunda dor que compareço para informar o nosso povo e os povos do mundo que hoje, 25 de Novembro, às 10h29 da noite, faleceu o Comandante em Chefe da Revolução Cubana Fidel Castro Ruz». Foi com estas palavras que o presidente da República de Cuba e irmão de Fidel, Raúl Castro, anunciou o desaparecimento físico de um excepcional revolucionário cuja «luta, acção e palavra inspirada animaram e continuaram a animar a luta das forças progressistas e revolucionárias de todos os continentes», como sublinhou Jerónimo de Sousa.

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Na manhã de sábado, 26, em declaração à comunicação social, o Secretário-geral do Partido, em nome do Comité Central do PCP, expressou e transmitiu «ao Comité Central do Partido Comunista de Cuba e por seu intermédio a todos os comunistas, ao povo de Cuba, ao camarada Raúl Castro e restante família de Fidel, os sentidos pêsames e a solidariedade dos comunistas portugueses».

Jerónimo de Sousa referiu-se a um «momento de tristeza para os comunistas, revolucionários e progressistas de todo o mundo» antes de afirmar que «o PCP presta homenagem à sua excepcional figura de patriota e de revolucionário comunista evocando o exemplo de uma vida inteiramente consagrada aos ideais da liberdade, da paz e do socialismo em que, com os seus companheiros de armas, numa epopeia que passou por Moncada e pela heróica guerrilha da Sierra Maestra, libertou Cuba de uma cruel ditadura e que, enfrentando a agressão e o bloqueio dos EUA, uniu e mobilizou a energia criadora dos trabalhadores e do povo na construção de uma nova sociedade liberta da exploração e da opressão imperialista, uma sociedade socialista, solidária com a luta libertadora de todos os povos do mundo».

«A luta, a acção e a palavra inspirada de Fidel animaram e continuarão a animar a luta das forças progressistas e revolucionárias de todos os continentes», acrescentou ainda Jerónimo de Sousa, antes de realçar que «Fidel deixa-nos num momento em que, depois de importantes avanços de soberania e progresso social na América Latina e Caraíbas, inseparáveis do exemplo e da solidariedade internacionalista de Cuba, o imperialismo e a reacção passaram à contra-ofensiva, procurando a todo o custo reverter conquistas e recuperar posições perdidas. Mas é nossa profunda convicção de que, confiando no papel das massas populares e da sua luta organizada, e inspirados pelo exemplo de Fidel e da Revolução Cubana, os projectos imperialistas serão derrotados».

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«A melhor forma de honrar a memória do camarada Fidel Castro, é prosseguir a luta pelos ideais e o projecto a que se consagrou até ao fim da sua vida, é fortalecer a solidariedade com Cuba e a sua revolução socialista exigindo o incondicional respeito pela soberania da Ilha da Liberdade, o imediato fim do criminoso bloqueio norte-americano e a restituição ao povo cubano de Guantánamo», concluiu o dirigente comunista.

Em nota divulgada segunda-feira, 28, o gabinete de imprensa do PCP informou que o Partido, por intermédio de Albano Nunes, do Secretariado do Comité Central, vai associar-se «à homenagem do povo cubano ao histórico dirigente da sua Revolução» participando no acto previsto para ontem, 29 de Novembro, na Praça da Revolução, em Havana.

Luto e luta

No domingo, uma delegação do PCP liderada por Jerónimo de Sousa deslocou-se à embaixada de Cuba em Lisboa para assinar o livro de condolências aberto pela morte de Fidel Castro. Em declarações prestadas à comunicação social presente, o Secretário-geral do PCP reiterou tratar-se de uma manifestação de solidariedade para com Cuba e o seu povo e criticou a «ingerência e insolência» dos que, repetidamente, consideram errada a opção socialista e o caminho escolhido pelos cubanos.

Na ocasião, como noutras intervenções públicas por estes dias, a embaixadora de Cuba em Portugal, Johana Tablada, manifestou-se agradecida e até surpreendida pelas inúmeras mensagens de condolências e reconhecimento que tem recebido por parte de organizações políticas, sociais e sindicais portuguesas.

Inúmeros países, organizações e personalidades (com destaque para as nações, figuras e estruturas de cooperação multilateral latino-americanas que com Cuba se empenham na luta anti-imperialista, pela soberania e o progresso) têm expressado pesar pelo desaparecimento de Fidel Castro. Não poucos países decretaram mesmo luto nacional. Iniciativas, espontâneas ou organizadas, com diversos figurinos têm ocorrido em todo mundo desde o anúncio da morte do revolucionário cubano, confirmando o carácter universal do ideal comunista, o respeito pelo seu exemplo, e garantindo que a melhor homenagem que se lhe pode prestar é prosseguir o combate pela emancipação social e nacional a que se entregou apaixonadamente.

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A representação diplomática da República de Cuba em Portugal manterá aberto o livro de condolências até ao próximo dia 4 de Dezembro, quando se encerram as cerimónias fúnebres de Fidel Castro.

Ao dirigir-se ao povo cubano e aos demais povos, na sexta-feira, 25, o presidente Raúl Castro detalhou que «em cumprimento da vontade expressa pelo camarada Fidel», os seus restos mortais seriam cremados às primeiras horas da manhã de sábado. Posteriormente, a comissão do Comité Central do Partido Comunista de Cuba, do Conselho de Estado e do Governo encarregada de organizar as exéquias, informou que a população poderia render tributo a Fidel Castro anteontem, 28, e ontem, 29, no Memorial José Martí, na capital cubana. Deu-se, dessa forma, início a uma massiva manifestação popular.

Hoje, 30 de Novembro, e nos dias 1, 2 e 3 de Dezembro, as cinzas percorrerão o país até Santiago de Cuba, onde os restos mortais de Fidel Castro serão sepultados, dia 4. O itinerário é o inverso do efectuado pelos revolucionários cubanos em Janeiro de 1959 na chamada Caravana da Liberdade, a qual acompanhou o comando político-militar do Movimento 26 de Julho e o levou triunfante até Havana, frisou a comissão encarregada das honras fúnebres, para quem a caravana de luto por Fidel é, sobretudo, «uma oportunidade para que todos os cubanos possam reafirmar o juramento solene de cumprir o conceito de Revolução sintetizado pelo líder histórico em Maio de 2000»:

Revolução é sentido do momento histórico; é mudar tudo o que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plenas; é ser tratado e tratar os demais como seres humanos; é emanciparmo-nos por nós próprios e com os nossos próprios esforços; é desafiar poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; é defender valores nos quais se acredita acima de qualquer sacrifício; é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo; é não mentir jamais nem violar princípios éticos; é convicção profunda de que não existe força no mundo capaz de soterrar a força da verdade e das ideias. Revolução é unidade, é independência, é lutar pelos nossos sonhos de justiça para Cuba e para o mundo, que são a base do nosso patriotismo, do nosso socialismo e do nosso internacionalismo.




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