Editorial

«É necessário, é possível e é urgente um outro rumo, um rumo soberano para o País»

AGIR COM CONFIANÇA

A crise estrutural do capitalismo continua a marcar a situação internacional. A tomada de posse da nova administração dos EUA veio tornar mais evidentes as contradições inter-imperialistas e os perigos, ameaças e incertezas que a actual situação comporta.

Por outro lado, veio também criar um clima favorável às mais diversas manobras ideológicas do grande capital transnacional. Desde logo aquela que coloca  no mesmo plano os que lutam pela soberania dos seus países e contra o capitalismo e os agentes dos fenómenos de populismo, das forças de extrema direita ou pró-fascistas visando  promover a globalização capitalista e os  instrumentos de domínio imperialista, em particular, a NATO. E, ao mesmo tempo, branquear a administração Obama e a sua política de ingerência e guerra nos mais diversos cantos do mundo.

Aproveitando este contexto de contradições e incerteza, procura-se igualmente promover a União Europeia com o Governo português a convergir no aprofundamento do seu rumo militarista, federalista.

É neste quadro que vemos retomar as pressões e as exigências dos que pretendem o regresso à política de exploração, declínio e retrocesso do País e de que são sintomática expressão as declarações de alguns dos principais responsáveis da União Europeia em relação à evolução da situação portuguesa, nomeadamente dos presidentes do Eurogrupo e do Mecanismo Europeu de Estabilidade. Declarações com claros objectivos desestabilizadores.

Para tais responsáveis, até aqui, era o défice das contas públicas o pretexto para todas as exigências e pressões. Sabemos que a questão central não é o défice mas sim o desenvolvimento, no entanto, Portugal teve um saldo orçamental dos mais baixos das últimas décadas. Teve uma redução maior do que o estabelecido entre o Governo e  Bruxelas. E, apesar disso, os responsáveis dessas estruturas da UE – com o apoio cúmplice, a nível interno, do PSD e CDS – continuam a insistir que Portugal tem de avançar com mais reformas. Todos sabemos a que reformas se referem quando falam deste modo: descer salários, pensões e degradar ainda mais as leis laborais, precarizando ainda mais as relações de trabalho. E sabemos igualmente quanto gostariam de acabar rapidamente com a nova fase da vida política nacional e a possibilidade que permite de defesa, reposição e conquista de direitos.

Mas tudo isto só mostra quanto imperiosa é a necessidade de  Portugal  recuperar a sua soberania, incluindo a monetária e deixar de estar dependente da chantagem sistemática dos especuladores, dos interesses dos grupos económicos e financeiros e de quem os representa.

Portugal necessita de, com urgência, colocar em cima da mesa a questão da renegociação da dívida, a questão do euro e recuperar os instrumentos indispensáveis para promover o seu desenvolvimento e resolver os problemas do País, seja o desemprego, a precariedade, os baixos salários e as baixas reformas, os insuficientes níveis de crescimento económico e a injusta distribuição da riqueza.

Precisa de romper o cerco que lhe impõem e isso exige que se rompa com a política de direita e se avance para uma política verdadeiramente alternativa – patriótica e de esquerda.

E é também neste quadro que se intensifica a intervenção do PCP, discutindo e propondo soluções para os problemas nacionais (desenvolvimento equilibrado do País, defesa e fomento da floresta, defesa do Sistema Nacional de Saúde, Educação e Segurança Social, melhoria dos transportes, aumento dos salários e pensões, defesa da produção nacional e do emprego, combate à precariedade, entre outros).

Prossegue de igual forma a preparação da batalha das eleições para as autarquias locais. Como afirmou o Secretário-geral do PCP na iniciativa de apresentação da candidata da CDU à presidência da Câmara Municipal do Porto e do primeiro candidato à Assembleia Municipal, na sexta-feira da semana passada, «vamos para estas eleições com a confiança de quem provou ser capaz de se assumir como uma voz indispensável na defesa dos interesses das populações, que deu corpo a causas e aspirações locais, e assegurou uma presença crítica, exigente e construtiva. As próximas eleições autárquicas constituem uma batalha política de grande importância pelo que representam no plano local, mas também pelo que podem contribuir para dar força à luta que travamos nesta nova fase da vida política nacional para melhor defender os interesses dos trabalhadores, do povo e do País, e de afirmação da alternativa, patriótica e de esquerda de que o País precisa».

Desenvolve-se também a luta de massas. Avança  a preparação de várias jornadas de luta destacando-se o 1.º de Maio.

Foi elevada a adesão à greve no sector da educação, no passado dia 3, com grande participação e impactos muito significativos.

Regista-se também as diversas acções das populações realizadas em Setúbal e S. Marcos da Serra.

A CNA tem marcada uma semana de luta e, a 10 de Fevereiro, o MURPI inicia uma campanha de esclarecimento junto dos reformados e pensionistas.

O PCP continuará a agir com determinação e confiança, consciente de que, para além do avanço na defesa, reposição e conquista de direitos e rendimentos, é necessário, é possível e é urgente um outro rumo, um rumo soberano para o País.

 


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