Defender
a autonomia
do Poder Local Democrático
Apresentação dos primeiros candidatos
à Câmara e Assembleia Municipal
Assegurar <br>o desenvolvimento <br>do Porto

A cidade do Porto precisa do «olhar insubmisso» da Coligação PCP-PEV, defendeu, no dia 3, Ilda Figueiredo, candidata à presidência da Câmara Municipal.

Image 22182

Na sexta-feira, ao final da tarde, várias centenas de pessoas, de todas as idades, participaram na apresentação pública dos primeiros candidatos da CDU à Câmara e Assembleia Municipal do Porto, respectivamente, Ilda Figueiredo e Rui Sá, iniciativa que contou com a presença de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP. Ali estiveram também, entre muitos outros, as deputadas comunistas Virgínia Pereira e Diana Ferreira, Pedro Carvalho, vereador na Câmara do Porto, Honório Novo, eleito na Assembleia Municipal, e Jaime Toga, da Comissão Política do Comité Central e responsável pela Direcção da Organização Regional do Porto do PCP.

A sessão começou com as vozes de Guilhermino Monteiro, Giséla Loureiro, Olga Martins e João Mesquita, acompanhados por António Gonçalves, na guitarra. Começaram com «Utopia» – numa «cidade sem muros nem ameias», com «gente igual por dentro e por fora» – prosseguiram com a «Balada do sino» e terminaram com «Ali está o rio», temas de Zeca Afonso.

Depois de Rui Sá (ver caixa) interveio Ilda Figueiredo. A candidata começou por recordar que, naquele mesmo dia, 3 de Fevereiro, há 90 anos, em 1927, no Porto iniciou-se a primeira tentativa revolucionária contra a ditadura militar. Foi também naquela cidade que, em 31 de Janeiro de 1891, se registou a primeira revolta militar de gente do povo e da cultura, antecipando em 19 anos a revolução republicada de 1910.

Citou, de seguida, Eugénio de Andrade, poeta que escreveu: «O Porto é só uma certa maneira de me refugiar na tarde, forrar-me de silêncio e procurar trazer à tona algumas palavras, sem outro fito que não seja o de opor ao corpo espesso destes muros a insurreição do olhar». Inspirada nas palavras do poeta, garantiu todo o seu «empenhamento para trazer até esta casa as palavras, os problemas, os sonhos e as esperanças das gentes do Porto, que pretendem que resolvam os seus pequenos e grandes problemas, defendendo uma gestão municipal mais atenta às desigualdades e uma cidade mais inclusiva».

Património da humanidade

«O Porto precisa de quem considere que uma cidade cosmopolita e aberta ao mundo não pode ignorar aqueles que construíram o seu rico património material e imaterial, as pessoas, os portuenses, que lhe deram vida, saber e sabor tão peculiar que ainda é património da humanidade», referiu Ilda Figueiredo, prometendo «persistência na luta pela igualdade de acesso à habitação condigna, aos transportes públicos sempre que necessários, a espaços agradáveis de lazer e convívio, à educação pública de qualidade, ao desporto e à cultura onde o todo seja maior do que a soma das partes por se ter incluído a inovação e criatividade que se desenvolvem com projectos plurais, suficientemente abrangentes e solidários, inclusivos».

A sua intervenção passará também por «dar voz» aos moradores e comerciantes que «resistem a viver no coração da cidade ou na zona ribeirinha onde o ruído nocturno campeia, a limpeza e o desinvestimento deixam muito a desejar, a vida quotidiana fica cada vez mais insuportável, sentindo todos os dias que são um estorvo para os poderes políticos», exigir que «se pare com as expulsões dos moradores e com a instalação indiscriminada de bares e outros espaços do género» e impedir «a destruição e mutilação» do património da cidade.

Valores de Abril

Antes de terminar, a candidata à presidência da Câmara do Porto apelou ao «reforço da CDU» para «dar maior impulso» a uma gestão municipal que «faça da defesa e promoção dos valores de Abril a sua bandeira, na defesa da autonomia do Poder Local Democrático, dos direitos de quem trabalha e de serviços públicos com envolvimento dos utentes e trabalhadores, de combate às privatizações» e que «pugne pela valorização das comunidades locais e pela promoção e aproveitamento sustentado dos diversos recursos regionais e locais em diálogo com os municípios vizinhos, designadamente no âmbito da Área Metropolitana do Porto, e com a Administração Central, exigindo também a concretização de investimentos públicos há muito anunciados e outros de que o Porto precisa».

De igual forma, acrescentou, é necessária «uma maior dotação de verbas para as autarquias, designadamente provenientes de fundos comunitários».

Jornadas CDU

No próximo sábado, 11, às 15 horas, realiza-se, na Junta de Freguesia de Ildefonso (ao lado do edifício do JN), as Jornadas CDU Cidade do Porto, iniciativa que contará com a presença, entre outros, de Ilda Figueiredo, Rui Sá, Pedro Carvalho, vereador, Mariana Silva, do Conselho Nacional de «Os Verdes», e Belmiro Magalhães, do Comité Central do PCP. 

Rui Sá
Governar com pluralismo

Rui Sá começou por dar a conhecer que o seu regresso à vida autárquica do Porto «é motivado, também, pelo facto de, hoje, se estar a tentar disseminar na cidade ideias e práticas sobre o funcionamento autárquico que são redutoras das potencialidades e virtudes do Poder Local Democrático e completamente contrárias à tradição e à alma do Porto».

«O pior que pode acontecer é haver quem abdica das suas próprias propostas e ideias – ou, ainda mais grave, das propostas e ideias que apresentaram aos eleitores – subordinando-as à conquista de quinhões de poder», criticou o primeiro candidato à Assembleia Municipal, lembrando que «foi isso que se passou no Porto neste mandato (com repercussões no quadro das próximas eleições), com diversos eleitos que, para se manterem no poder, passaram a defender exactamente o contrário do que tinham defendido no mandato anterior».

Outros eleitos, apontou, rasgaram as «propostas e compromissos que tinham sido apresentados aos portuenses, assinando um acordo com o (na altura) recém-eleito presidente da Câmara em que se comprometiam formalmente a executar o programa deste a troco de uns pelouros». Mas houve também os que, «fazendo tábua rasa do programa que apresentaram aos portuenses», passassem «a apoiar medidas que, perante o eleitorado, diziam combater por considerarem prejudiciais à cidade e aos portuenses».

Discordar

Segundo Rui Sá, este «pseudo-unanimismo, perigoso porque alimenta clientelas, facilita interesses alheios à cidade e faz germinar populismos, é ainda mais grave quando se assiste, por parte dos seus defensores, a uma tentativa de diabolização da única força política – a CDU – que, naturalmente, ousa discordar das opções tomadas, criticando-as com fundamentação, elevação e, muito importante nos tempos que correm, em coerência com os compromissos que assumiu com os portuenses».

Neste sentido, Rui Sá afiançou que, na Assembleia Municipal, a CDU cumprirá, independentemente dos resultados das eleições, o seu dever: «fiscalizando a actividade municipal, defendendo o programa que apresentaremos aos cidadãos, dando voz às suas aspirações e procurando que a Assembleia seja o grande fórum de debate democrático das ideias, das propostas e das políticas para a cidade».

Jerónimo de Sousa
Dar força à luta

A encerrar a sessão, Jerónimo de Sousa lembrou que as próximas eleições autárquicas «constituem uma batalha política de grande importância» pelo que representam no plano local, mas também pelo que podem «contribuir para dar força à luta que travamos nesta nova fase da vida política nacional para melhor defender os interesses dos trabalhadores, do povo e do País, e de afirmação da alternativa, patriótica e de esquerda de que o País precisa».

«Alterar a actual correlação política de forças na sociedade portuguesa, dando mais peso à CDU e às forças que a compõem é um factor incontornável na criação das condições para a concretização dessa política alternativa», sublinhou, referindo que «quem nos conhece sabe que pode contar connosco, com o empenhamento dos nossos eleitos e a sua dedicação ao serviço das populações e do desenvolvimento».

Neste sentido, garantiu o Secretário-geral do PCP, a «CDU vale a pena» pelo «trabalho positivo e eficaz» que desenvolve, pelas «suas propostas, seriedade, isenção e sentido de responsabilidade» que os eleitos da Coligação PCP-PEV «colocam no exercício das suas funções», pela «voz que dá nas autarquias aos problemas, aspirações e reclamações das populações que, de outra forma, seriam esquecidos e desprezados».

Confiança

Porque a CDU tem «as ferramentas necessárias» – o «trabalho», a «honestidade» e a «competência» – Jerónimo de Sousa manifestou «confiança» e a «convicção» de que «é possível dar um significativo impulso no reforço eleitoral da CDU e afirmá-la como uma forma indispensável e necessária para a defesa dos mais genuínos interesses das populações do Porto» e, ao mesmo tempo, «com mais CDU acrescentar força à luta e à razão de todos os que aspiram a uma outra política, patriótica e de esquerda no plano nacional, capaz de dar resposta à solução dos problemas do desenvolvimento do País e de cada uma das suas regiões».

Sobre os candidatos, o Secretário-geral do PCP afiançou que têm «uma grande experiência nos mais diversos domínios da nossa vida colectiva» e são «conhecedores da realidade, dos problemas e dos desafios que se colocam ao desenvolvimento não apenas do seu concelho, da sua cidade, mas também de toda a região do Porto e do próprio País». 

Ilda Figueiredo

Economista e professora, Ilda Figueiredo foi deputada à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu em vários mandatos, eleita na Assembleia Municipal de Gaia e na Assembleia Metropolitana do Porto, vereadora na Câmara de Gaia e na Câmara do Porto, onde exerceu a responsabilidade do pelouro da Saúde e Sanidade e integrou o Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento. Foi, também, vereadora na Câmara de Viana do Castelo.

É presidente da Direcção do Conselho Português para a Paz e Cooperação, autora de vários livros de poesia e de temáticas como a integração capitalista da União Europeia e Educação. Integra a Direcção da Organização Regional do Porto e o Comité Central do PCP.

Rui Sá

Engenheiro, foi presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Infante D. Henrique e representante eleito pelos estudantes de engenharia mecânica no Conselho Pedagógico da FEUP. Integrou a Assembleia Municipal do Porto e a Assembleia Metropolitana do Porto, tendo sido seu vice-presidente. Foi vereador na Câmara do Porto e exerceu a presidência dos conselhos de administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto e da Associação Porto Digital. Representou o município do Porto no Conselho de Administração da LIPOR.

Integra o Conselho Municipal do Ambiente e a Comissão Toponímia do Porto. Recebeu a Medalha de Mérito Grau Ouro da Cidade do Porto. É membro da Direcção da Organização da Cidade do Porto do PCP.




 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: