A luta vai prosseguir,
contra salários baixos
e práticas discriminatórias
Valorsul e Amarsul, Tesco, Thyssenkrupp,
Sonae, Casino da Póvoa, Panasqueira
Greves a sério e com frutos

Se a época é de Carnaval, a luta está a ser levada a sério por milhares de trabalhadores que decidiram recorrer à greve e a acções públicas para reclamarem melhores salários e cumprimento dos direitos – nuns casos, com resultados, e noutros, com determinação para novas jornadas.

A «quinzena de acção e luta» nos sectores da Fiequimetal/CGTP-IN começou com uma concentração de trabalhadores da Valorsul e da Amarsul (também com a participação do STAL/CGTP-IN), no dia 23, quinta-feira, em Linda-a-Velha (Oeiras), frente à sede do Grupo Mota-Engil.
Por aumentos salariais, que não ocorrem há sete anos, em defesa da contratação colectiva e pelo cumprimento dos direitos (inscritos nos Acordos de Empresa, que as administrações e o grupo querem substituir por regulamentos internos), trabalhadores e dirigentes sindicais, entre os quais esteve Arménio Carlos, Secretário-geral da CGTP-IN, começaram por se reunir na rotunda da Avenida 25 de Abril, de onde seguiram em manifestação, interrompendo o trânsito por cerca de meia hora.
O plenário geral, durante uma hora, impediu também a circulação automóvel frente à sede da Mota-Engil (a quem foi alienado pelo governo PSD/CDS o Grupo EGF e o controlo dos sistemas multimunicipais de tratamento e valorização de resíduos sólidos). Em solidariedade, esteve presente Bruno Dias, deputado do PCP.
Arménio Carlos, a encerrar o plenário, saudou a capacidade de mobilização e resistência dos trabalhadores e defendeu que esta luta deverá ser alargada para sensibilizar mais a opinião pública, os municípios e os munícipes, os quais também não ficaram a ganhar com a privatização.

 

Coragem e firmeza

Pela primeira vez na fábrica da multinacional japonesa Tesco, em Ribeirão (Vila Nova de Famalicão), que produz componentes para o sector automóvel, os trabalhadores fizeram greve, dia 24 de Fevereiro, para darem força às exigências de aumentos salariais (quatro por cento, assegurando um mínimo de 40 euros), passagem a efectivos dos trabalhadores com vínculos precários e redução do horário de trabalho. A adesão à greve nos três turnos provocou a paragem de grande parte da produção.
Na Tesco, cerca de 60 por cento dos trabalhadores são contratados através de empresas de trabalho temporário, e alguns estão em situação precária há mais de seis anos. Muitos destes jovens fizeram greve e juntaram-se ao piquete, à entrada da fábrica.
Aqui, ao início da manhã, estiveram dirigentes da Fiequimetal e do SITE Norte. Ali se deslocou igualmente uma delegação do PCP, com Gonçalo Oliveira, da Comissão Política do Comité Central, entre outros camaradas.

Também no dia 24, os trabalhadores da multinacional alemã Thyssenkrupp Elevadores aderiram, na esmagadora maioria, à greve de 24 horas por aumentos salariais justos, com um mínimo de 37 euros, e muitos participaram nas concentrações em Lisboa e no Porto.
Durante as concentrações foi distribuído um folheto, dirigido aos clientes e à população, acusando a filial portuguesa de, mesmo apresentando, em 2016, lucros superiores a seis milhões de euros, tentar impor uma política de baixos salários.
Nova greve está marcada para dia 10, com concentração de trabalhadores nos serviços centrais da empresa, em Massamá (Sintra).

No dia 27, segunda-feira, estiveram em greve os trabalhadores da Bosch Car Multimedia, em Braga, por 24 horas, em defesa do caderno reivindicativo, contra as discriminações, pela valorização dos salários (50 euros para todos) e em defesa dos direitos, com destaque para o direito a progressão profissional, reduzindo a carreira de operador especializado de 9,5 para cinco anos.

Nos entrepostos logísticos da Sonae, na Maia e na Azambuja, os trabalhadores estiveram em greve no dia 24 e muitos reuniram-se junto dos piquetes do CESP/CGTP-IN. A presidente do sindicato e o Secretário-geral da CGTP-IN estiveram na Azambuja. A solidariedade do PCP foi transmitida na Maia por Jaime Toga, da Comissão Política do CC, entre outros camaradas.
Os trabalhadores, operadores de armazém, têm salários baixos, que só foram aumentados com a subida da remuneração mínima garantida. A empresa anunciou 565 euros como salário inicial, para novas admissões, mas não pretende alterar os salários dos trabalhadores com mais anos (alguns dos quais continuam a receber 557 euros); estes e o sindicato insistem em exigir que a carreira de operador de armazém seja equiparada à de operador de supermercado, permitindo diferenciação de níveis de qualificação.
O CESP revelou, no próprio dia da greve, que a Sonae afirmou reconhecer a justiça da reivindicação e disse que está a preparar com a associação patronal (APED) uma contraproposta. O sindicato adiantou que, considerando positivas estas evoluções, os trabalhadores manifestaram-se dispostos a prosseguir a luta, se isso decorrer da posição patronal numa reunião de negociação do contrato colectivo, no dia 9.

 

Acordo conquistado na Panasqueira

«Vale sempre a pena lutar», destacou o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, num comunicado em que anunciou o acordo alcançado, a 24 de Fevereiro, na Beralt Tin & Wolfram, concessionária das minas da Panasqueira.
O STIM, da Fiequimetal/CGTP-IN, refere que a administração abandonou a proposta de horários concentrados e os salários são actualizados em 1,5 por cento. A partir de 2017 inclusive, a terça-feira de Carnaval e o dia de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros (4 de Dezembro), passam a ser considerados feriados. Foi ainda criado um «prémio de produção», desde Janeiro, que neste mês representa 77 euros para cada trabalhador.
O acordo foi alcançado depois de várias reuniões com a administração e plenários de trabalhadores, destacando o sindicato que a posição patronal evoluiu depois de ser decidida uma greve de duas horas por dia, que decorreria entre 27 de Fevereiro e 4 de Março.

 

Protesto no Casino da Póvoa

Trabalhadores do Casino da Póvoa de Varzim, organizados no Sindicato da Hotelaria do Norte, concentraram-se no dia 22 de Fevereiro à entrada do estabelecimento, na altura em que se ia ali realizar um evento com a participação do Presidente da República, para protestarem contra os baixos salários, que não aumentam desde 2009, e contra o despedimento colectivo de 21 camaradas, em 2014. Além de a falta de fundamento deste despedimento já ter sido confirmada por peritos do Tribunal de Trabalho, o Casino não lhes deu preferência na admissão de pessoal que entretanto fez.
Com poucos trabalhadores e sem actividades culturais, o Casino torna-se «num autêntico armazém de máquinas automáticas, para acumular lucros para os seus accionistas», sem nenhum benefício para quem ali trabalha, acusou o sindicato da Fesaht/CGTP-IN. Num encontro com o PR, no local, representantes dos trabalhadores entregaram um dossier sobre estes problemas e solicitaram que interceda, no âmbito das suas atribuições e competências.

 

Próximas lutas

Hoje, trabalhadores da EDP concentram-se, a partir das 15 horas, junto à sede do grupo, em Lisboa, apontando o contraste entre os lucros milionários – que vão ser formalmente apresentados – e as propostas patronais para a revisão salarial.

De ontem até amanhã, dia 3, decorrem greves na Multiauto, em Setúbal, Beja, Évora e Sines.

Para amanhã está convocada nova greve de 24 horas na Tesco, com concentração às 8 e às 15 horas, no exterior da fábrica.

Também amanhã vai haver uma concentração dos trabalhadores das empresas do consórcio que assegura a manutenção da refinaria da Petrogal, em Sines.

Os trabalhadores da Matutano (Grupo Pepsico) fazem greve no dia 6. O Sintab, da Fesaht/CGTP-IN, convocou a luta «contra a prepotência da administração», que decidiu impor a laboração contínua em algumas linhas da fábrica, num regime de quatro turnos, o que obriga os trabalhadores a abdicarem do regime de folgas ao sábado e domingo. A partir das 9 horas há uma concentração à entrada da empresa, na Quinta dos Cónegos (Carregado).

No dia 7, terça-feira, os trabalhadores da Imprensa Nacional Casa da Moeda vão fazer greve, das 14 às 18 horas, e concentram-se frente à sede, em luta pelo aumento dos salários, pelo cumprimento do Acordo de Empresa em vigor e contra promoções discriminatórias.

 



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