6 de Março de 1853<br>– Estreia La Traviata

A ópera La Traviata, com libreto de Francesco Maria Piave, integra com as óperas Rigoletto e Il Trovatore a chamada «Trilogia popular» do compositor italiano Giuseppe Verdi. Inspirada no romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, que conta a história de amor entre o autor e uma célebre cortesã, Marie Duplessis, esta obra-prima de Verdi foi um fracasso e um escândalo aquando da sua estreia no Teatro La Fenice, em Veneza, devido por um lado à prestação dos intérpretes e por outro, e sobretudo, ao realismo do tema. A audácia de Verdi de pôr em cena o universo quotidiano da burguesia do século XIX e de expor o seu falso e cruel moralismo, contrapondo-lhe o heroísmo da «traviata» (a transviada, a mulher perdida) que se sacrifica por amor estando condenada pela sociedade e pela doença, representa uma ruptura com a imagem aristocrática da ópera então vigente, com histórias fantásticas ou de duelos de capa e espada. Com inovações harmónicas, rítmicas e melódicas, La Traviata rapidamente se tornou num enorme sucesso, sendo apontada como precursora das obras-primas da maturidade de Verdi: Aída, Otelo e Falstaff. Verdi foi um defensor da unificação da Itália, tendo muitos dos seus temas inspirado o sentimento nacionalista da época, caso de O Coro dos Escravos Hebreus, da ópera Nabucco.

 


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