• Miguel Inácio (texto)
    Jorge Caria (fotos)


Em muitas escolas
e locais
de trabalho
a democracia não entra
Todos os caminhos vão dar<br>ao Congresso da JCP

CONGRESSO Sob o lema «Conquistar o presente, construir o futuro. É pela luta que lá vamos!», a JCP realiza nos dias 1 e 2 de Abril, em Setúbal, no Fórum Luísa Todi, o seu 11.º Congresso.
Naquele que é o momento mais importante da vida da organização revolucionária da juventude, André Martelo e Helena Casqueiro, ambos dos Organismos Executivos da Direcção Nacional da JCP, perspectivaram que este será um Congresso ligado à realidade da juventude e à sua luta.

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A dois dias da reunião magna, a JCP continua a «mobilizar a juventude», estando já confirmada a presença de largas centenas de delegados, «literalmente de todo o País», informou André Martelo.

No entanto, até ao próximo sábado, muito há ainda para fazer. «Como é que trazemos tanta gente, de Norte a Sul, ilhas incluídas, até Setúbal? Temos que garantir todas as condições para que possam vir ao Congresso», referiu, anunciando a existência de transportes, alojamento e alimentação a todos os que queiram estar presentes na cidade sadina. «Estamos também a trabalhar para trazer jovens que não foram eleitos delegados. Muitos amigos da JCP estarão presentes no Congresso, o que reflecte o nosso trabalho de ligação aos vários sectores da juventude», reforçou Helena Casqueiro.

Também no plano internacional, o Congresso da JCP será «um sucesso», com «28 organizações já confirmadas», mais do dobro do que há três anos. Para além da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), que se vai fazer representar pelo seu presidente e secretário-geral, «estarão presentes organizações da América Latina, Europa, Ásia e África», o que «revela o prestígio da JCP e do PCP no plano mundial», destacou André Martelo. No sábado tem ainda lugar uma reunião da Comissão da Europa e América do Norte. «A expectativa é que seja uma das maiores reuniões dos últimos tempos desta estrutura da Federação», anteviu o jovem comunista.

Para os convidados internacionais – que hoje, dia 30, começam a chegar – há um programa específico. «Na sexta-feira, de manhã, no Mercado do Livramento, em Setúbal, tem lugar um debate com jovens trabalhadores, dirigentes, delegados e activistas sindicais. Depois de almoço, visitarão o centro histórico e o castelo de Palmela, concelho onde se realizará um seminário sobre “Ofensiva ideológica e os meios de comunicação social dominante na ofensiva do imperialismo”», informou André Martelo.

No domingo de manhã, durante a sessão reservada aos delegados, os jovens de todo o mundo conhecerão melhor a cidade de Setúbal, estando prevista, entre outras iniciativas, uma deslocação aos Paços do Concelho. «Levarão a realidade da juventude portuguesa e do nosso País a todo o mundo», acentuou o jovem comunista, sem esquecer que, também, «o nosso prestígio sairá reforçado».

Discussão colectiva

Sobre os dois dias de trabalhos, Helena Casqueiro previu «um Congresso muito ligado àquilo que é a vida da juventude portuguesa», porque «estamos há muitos meses [no âmbito da discussão do Projecto de Resolução Política] a ouvir o que é que os jovens têm a dizer sobre a situação actual, quais as suas aspirações e vontades que têm para construir um futuro e um País melhor». «Ali estarão presentes todas as questões que continuam a afectar a juventude, fruto da política de direita que os sucessivos governos têm aplicado no nosso País e que continuam a ter reflexos, seja no plano da educação ou do trabalho», explicou.

André Martelo enfatizou o facto de, «para muitos, até uma maioria, ser a primeira vez que estão a participar na preparação do congresso, um processo que é muito profundo e se desenvolve em várias dimensões». «Jovens com 15, 16, 17 anos estão a aprender e contactam com o nosso modo de funcionamento, amplamente democrático», acentuou.

Luta de massas

Sobre a actual fase da vida nacional, que será tema de debate, Helena Casqueiro apontou como positivo o congelamento, neste ano lectivo, das propinas no Ensino Superior, e, explanando o lema do Congresso, acentuou que foi devido à luta de massas que foi possível recuperar rendimentos e direitos, ainda que de forma limitada, e será pela luta que se poderá defender e conquistar mais direitos e lutar por uma política alternativa, patriótica e de esquerda, ao serviço dos trabalhadores, do povo, da juventude e do País.

Fruto da situação actual, em destaque estará ainda a «ofensiva aos direitos e liberdades democráticas, que são sentidos, muito particularmente, pela juventude». A dirigente referia-se, por exemplo, às «muitas limitações» no «exercício do direito à propaganda política» e no «direito de reunião». «Este tipo de coisas marca a vida dos jovens», criticou. «Estes são exemplos que pensávamos que não voltariam a existir no Portugal de Abril. Infelizmente, em muitas escolas e locais de trabalho a democracia não entra», apontou André Martelo.

Outro tema que será certamente abordado é a ofensiva ideológica, até porque, «muitas vezes, são os jovens comunistas, nas escolas e nos locais de trabalho, a esclarecer sobre quais são os nossos direitos», disse Helena Casqueiro.

Para além da evocação dos 100 anos da Revolução de Outubro, outros momentos culturais terão lugar no Congresso da JCP. André Martelo destacou o sábado à noite. Depois de um «grande desfile» na Avenida Luísa Todi, acontece, às 22 horas, no Auditório José Afonso, um concerto com GROGNation e Peste & Sida.

 



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