Editorial

«Por novos avanços no caminho para uma política alternativa»

A LUTA É INDISPENSÁVEL

Realizou-se no passado sábado o Dia Nacional de Luta convocado pela CGTP-IN, sob o lema «unidos pela valorização do trabalho e dos trabalhadores», com manifestações em Lisboa e no Porto.

Apesar do meticuloso silenciamento de que foi alvo por parte da generalidade dos órgãos da comunicação social dominante, foi um importante momento de luta dos trabalhadores portugueses com largos milhares de participantes, combativos e conscientes de que para ir mais longe no plano da resposta aos seus direitos e interesses de classe a luta é factor imprescindível.

Foi uma acção que evidenciou também a convicção de que para conseguir uma política alternativa, que promova a efectiva valorização do trabalho e dos trabalhadores, assente no pleno emprego, no aumento dos salários, na redução do horário de trabalho, na defesa do trabalho com direitos, no combate ao desemprego e à precariedade e em melhores reformas e pensões a luta será sempre indispensável.

Do mesmo modo, esta acção inseriu-se no processo de luta que juntamente com a intervenção do PCP e do PEV foi determinante para a derrota do governo PSD/CDS e para a criação de uma nova correlação de forças na Assembleia da República que tornou possíveis importantes, ainda que limitados, avanços na reposição de direitos e rendimentos. E continua a ser decisiva para conseguir respostas à acção reivindicativa, novos avanços na reposição, defesa e conquista de direitos, ruptura com a política de direita e novo rumo político para o País.

A par do estímulo ao desenvolvimento da luta de massas, o PCP prepara as eleições autárquicas consciente de que esta é agora a grande prioridade da sua multifacetada intervenção. Trata-se de uma dinâmica em crescendo impulsionada pela confiança no património de trabalho, honestidade e competência que caracteriza a gestão autárquica da CDU e o seu projecto alternativo à posição das outras forças políticas, seja do PSD e CDS, seja do PS e BE.

É uma dinâmica que se reveste de grande importância política e que vai da formação e apresentação de candidaturas à prestação de contas e à preparação e apresentação de programas com propostas e soluções concretas para os problemas das populações. Dinâmica que se reflecte igualmente na multiplicação de contactos de esclarecimento e mobilização para o apoio à CDU – Coligação Democrática Unitária PCP-PEV – a única com provas dadas de total entrega à luta por soluções que sirvam o desenvolvimento local e os interesses dos trabalhadores e do povo. E que, por isso mesmo, merece ser reforçada para, com mais força, dar mais força a quem lha deu.

Mas também pelo que pode contribuir para dar mais força à luta que travamos nesta fase da vida política nacional para defender, repor e conquistar direitos e rendimentos e afirmar a alternativa política que tanta falta faz ao povo e ao País.

Entramos igualmente numa nova fase de preparação da 41.ª edição da Festa do Avante! com a sua construção, divulgação e venda antecipada da EP. É um processo em que o Avante! se envolverá através da abordagem temática às diversas componentes da Festa, incluindo brevemente a publicação do suplemento dos artistas. Do mesmo modo, as jornadas de trabalho têm início marcado para a próxima quinta-feira, dia 15, um dos quatro feriados que a luta dos trabalhadores e do povo recuperou.

Nesta intensa intervenção insere-se igualmente o trabalho de reforço orgânico do Partido e o desenvolvimento da campanha «Mais direitos, mais futuro. Não à precariedade» na qual se inscreve o agendamento pelo Grupo Parlamentar do PCP na AR para a próxima segunda-feira,12, do debate sobre a precariedade. Avança igualmente a campanha «Produção, emprego, soberania. Libertar Portugal da submissão ao euro» chamando a atenção para a necessidade de respostas estruturais para problemas igualmente estruturais, nomeadamente a renegociação da dívida, a libertação de Portugal da submissão ao euro e o controlo público da banca e dos sectores estratégicos.

A investigação de indícios de corrupção na EDP vem mais uma vez mostrar que a segmentação e privatização destes sectores – a que o PCP sempre se opôs – é contrária à salvaguarda dos interesses nacionais. É mais um caso a demonstrar como a privatização destes sectores, a par das graves consequências para as empresas e para as famílias, favoreceu a promiscuidade entre o poder político e o poder económico, de que os lucros monopolistas da EDP são exemplo.

A propósito, é bom lembrar que o PCP levou à AR propostas concretas sobre os lucros monopolistas da EDP que foram rejeitadas pelos votos conjuntos do PS e PSD.

Os avanços e conquistas conseguidos nesta fase são indissociáveis das lutas que se travam e de que a acção do passado dia 3 foi exemplo expressivo. Mas se a luta é indispensável para ir mais longe na reposição de direitos e rendimentos, é preciso reforçar o PCP, dar mais força à CDU, ampliar a unidade e convergência com democratas e patriotas para consolidar os ganhos, ir mais longe nas conquistas e avançar para as respostas estruturais que só uma política patriótica e de esquerda tem condições de garantir.



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