Jerónimo de Sousa no debate quinzenal com o primeiro-ministro
Pela melhoria dos transportes públicos

No centro do debate pela mão do PCP esteve ainda a situação dos transportes públicos, com Jerónimo de Sousa a lamentar que ao «impulso inicial» registado na resposta aos problemas tenha sucedido um quadro de «muitas promessas, mas insatisfatórias medidas efectivas».

Reconhecendo que a situação herdada por este Governo era «calamitosa» – desde a falta de investimentos à redução dos quadros operacionais, passando pela perda de utentes, redução da oferta e aumento brutal dos preços –, e não deixando de valorizar o facto de o Executivo ter revertido «criminosas privatizações que teriam implicado custos acrescidos anuais de centenas de milhões de euros para o Estado e para os utentes», atendendo assim à justa luta dos trabalhadores e às propostas do PCP, o líder comunista considerou no entanto que isso não basta e que é possível e necessário ir mais longe.

E comprovou-o trazendo à colação o Metropolitano de Lisboa, empresa que em sua opinião é um bom exemplo de como a resposta aos problemas reclama «outra atitude e outras medidas».

«Há mais de um ano que o Governo anunciou a contratação de 30 maquinistas. Afinal parece que vão ser só 20, e apenas 10 já iniciaram a formação. São mais de 20 as composições paralisadas à espera de manutenção. Existem oficinas que foram desactivadas.

A manutenção da infra-estrutura continua com trabalhadores a menos, as portas de embarque com avarias sistemáticas, as estações vazias porque se recusa a contratação dos trabalhadores necessários», descreveu o responsável comunista, fazendo notar que a situação «não é diferente no transporte fluvial no Tejo». Aqui, esmiuçou, constata-se que a Transtejo e a Soflusa têm «vários navios paralisados à espera de manutenção» e «uma parte da frota corre o risco de a breve prazo perder os certificados de navegabilidade».

Sem escamotear a «complexidade dos problemas», o Secretário-geral do PCP afirmou-se assim convicto de que «há condições para tomar algumas medidas que são de fundo», designadamente para aquelas três empresas que operam na Grande Lisboa.

Passos que falta dar

Na resposta, António Costa começou por realçar que, desde o anterior debate quinzenal, um passo fora «já ultrapassado» com o «acordo de empresa» na Transtejo e na Soflusa, que «aguarda apenas por publicação».

«Outros passos estão a ser ultrapassados», asseverou, dando como exemplo a entrada em obra, a 19 de Julho, da estação do Metro de Arroios, permitindo que «toda a linha verde passe a dispor de seis carruagens».

Falando dos investimentos previstos, referiu que o OE deste ano «reforçou em 16 milhões de euros a capacidade de investimento no Metropolitano», reforço esse de investimento que disse estar a ser feito também na Carris, no Metro do Porto, nos STCP. E que o mesmo acontecerá na Soflusa e na Transtejo, afiançou o primeiro-ministro, que tinha ainda reservada uma dura crítica para o «passivo de investimento acumulado» nos quatro anos de governo PSD/CDS-PP: «absolutamente brutal, destrutivo, com a perda de milhões de passageiros».

Antes, aludindo à importância de honrar os compromissos e de não frustrar as expectativas, Jerónimo de Sousa deixara à câmara, em particular ao chefe do Governo, uma reflexão final: «A dialéctica tem este sentido: o que era verdade anteontem pode não ser verdade amanhã. E esse ambiente de esperança que se abriu no quadro da nova solução política, da nova fase da vida política nacional, precisa de ser mantido para que a dialéctica não se transforme num outro sentimento».




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