Subida dos trabalhistas exprime rejeição das políticas de direita

REINO UNIDO O partido conservador britânico perdeu a maioria absoluta no parlamento, na sequência das eleições legislativas antecipadas de dia 8.

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Em vez do almejado reforço eleitoral para negociar a saída do Reino Unido da União Europeia e aplicar reformas antipopulares, a primeira-ministra britânica, Theresa May, saiu enfraquecida, vendo-se forçada a procurar um acordo com o Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte (DUP), para garantir o necessário apoio ao próximo governo.

Apesar de terem subido 5,5 pontos em votação (42,4%), os conservadores perderam 13 deputados, ficando com apenas 318, num hemiciclo com 650 lugares.

Em contrapartida, os trabalhistas elegeram mais 33 deputados, subindo 9,6 pontos percentuais (40%). O Partido Nacional Escocês manteve-se como a terceira força no parlamento, com 35 deputados (-19), seguindo-se os liberais-democratas, com 12 deputados (+4), o Partido Unionista, com dez deputados (+2), o Sinn Fein, com sete deputados (+3), e Partido de Gales, com quatro deputados (+1).

O Partido da Independência (UKIP) perdeu o seu único deputado, quase desaparecendo do mapa eleitoral, recolhendo apenas 1,8 por cento dos votos, contra 12,6 por cento, em 2015.

PCP saúda forças progressistas

Em nota divulgada dia 10, o PCP salienta a «derrota política do Partido Conservador que pretendia fortalecer o apoio parlamentar a uma ainda maior ofensiva contra os direitos sociais e laborais dos trabalhadores e do povo britânico, e a uma deriva ainda mais acentuada da política neoliberal, militarista e de afirmação imperialista.

«Tais resultados expressam ainda uma derrota de todos aqueles que, não conformados com a decisão do povo britânico sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, tentaram associar essa decisão a uma visão racista, xenófoba e nacionalista, lançando um injusto e manipulador estigma sobre aquele povo.

«Num quadro político e mediático profundamente hostil a Jeremy Corbyn e ao seu programa, o aumento significativo da votação do Partido Trabalhista, a implosão da extrema-direita e a perda de maioria do Partido Conservador, reflectem uma vontade de adopção de políticas favoráveis aos trabalhadores e ao povo.

«Estes resultados não legitimam, como algumas leituras tentam manipular, um qualquer questionamento da decisão do povo britânico de desvinculação da União Europeia. Pelo contrário, significam uma importante derrota dos que tentam reverter tais decisões ou transformar o Brexit num violento processo de ataque aos direitos e aspirações dos trabalhadores e de outras camadas populares».

Por fim, o PCP «saúda o Partido Comunista Britânico e outras forças progressistas que, enfrentando manobras de grande magnitude e gravidade, afirmaram a possibilidade de um outro rumo e de uma outra política para o Reino Unido, contrária ao pensamento único neoliberal e militarista que nas últimas décadas os dois maiores partidos britânicos preconizaram».




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