• Jorge Cordeiro

Roupa velha

Um «think tank» próximo do PSD deu à luz um estudo sobre a dívida pública. Arredado o anglicismo e fugindo à literalidade da expressão que nos conduziria assim como que a um qualquer espaço destinado à lavagem de ideias, o termo significa um espaço onde alguns pensam coisas, mesmo que as mesmas não sejam grande coisa. Como é o caso. Não se perderá espaço a explanar o que dali resultou. A repetição de estafadas ideias, academicamente apresentadas como se de ideias novas se tratasse, quanto a uma hipotética sustentabilidade da dívida, a fuga às razões que estão na origem da sua dimensão, as receitas habituais em matéria de consolidação orçamental ou reformas estruturais. Não fosse o douto estudo ser levado pouco a sério atendida que seja a barriga de onde saiu, e aí tivemos a ornamentar a sua divulgação a inefável Teodora Cardoso. Nada de surpreendente. Primeiro porque o que voltou a repetir é a sua profunda e científica convicção de que não há milagres. Depois porque vindo o estudo do PSD a sua presença só prova que filhos pródigos nunca saem da casa dos pais. Para tais conclusões bem se podia ter dispensado o «think tank». Poupavam-se neurónios, tempo e dinheiro.

A dívida pública, a sua dimensão, consequências para o desenvolvimento e a soberania não pode continuar a ser iludido. Precisa de respostas sérias correspondentes à seriedade do problema. Dispensa bem que se ande à volta dele como cão à procura do rabo. A resposta tem de estar para lá de medidas circunscritas à gestão corrente da dívida directa do Estado e de outras dependentes na sua concretização das decisões da União Europeia que redundarão no que se conhece. Sem prejuízo de micro soluções – insuficientes e limitadas – o que se impõe é uma efectiva renegociação que assegure a redução do montante da dívida e do volume do serviço da dívida em termos sustentáveis e compatíveis com o desenvolvimento.

 



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