Militância e dedicação são componentes essenciais da Festa
Também a Festa se faz com corações ardentes

FESTA DO AVANTE! As jornadas de trabalho começam amanhã, 15, mas há muito que vem ganhando forma a 41.ª edição da maior iniciativa político-cultural do País. O Avanteatro já definiu parte considerável do seu programa.

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A partir de amanhã, feriado nacional reconquistado, e até ao primeiro fim-de-semana de Setembro, serão muitos os militantes e simpatizantes do Partido que lançarão mãos à obra para erguer a 41.ª Festa do Avante!: em milhares de horas de trabalho voluntário, será aparada e regada a erva, construídos pavilhões, montados palcos, afixadas exposições, pintadas autênticas obras de arte nas paredes dos diferentes espaços.

Ao mesmo tempo, e com a mesma dedicação, são também muitos os que por todo o País se estão já a dedicar à divulgação da Festa e à venda das EP. A partir do momento em que forem conhecidos os artistas que actuarão nos palcos principais, com a saída – para breve – do suplemento do Avante!, as tarefas de divulgação da Festa entrarão numa nova e mais intensa fase.

Entretanto, no terreno, prosseguem as obras de beneficiação e infra-estruturação, aprofundando as alterações e melhorias verificadas no ano passado, com o alargamento à Quinta do Cabo. Como revelámos recentemente no Avante!, a edição deste ano da Festa será mais verde, fruto da plantação de novas árvores e do ajardinamento de diversas áreas, e proporcionará ao visitante uma ainda maior ligação com a baía do Seixal.

Também nas diversas organizações e sectores do Partido e da JCP há muito que se prepara a Festa: definindo as temáticas dos diferentes espaços e a sua programação política e cultural; responsabilizando quadros pelas diferentes tarefas; preenchendo escalas de serviços; realizando iniciativas de divulgação; promovendo concursos que definirão quem participará em várias realizações da Festa, como a Bienal de Artes Plásticas, os torneios desportivos de várias modalidades ou o Palco Novos Valores. O Avanteatro, por exemplo, tem já definida a sua programação teatral (ver texto nesta página).

De tudo isto se faz uma vez mais a Festa do Avante!. E são também estes componentes – a militância, a dedicação, o empenho – que fazem dela uma realização sem paralelo em Portugal.

 

Avanteatro é lugar a não perder

Javier Tomeo – um dos autores representados no Avanteatro 2017 – diz a dado passo do seu Amado Monstruo: «Contudo, a música…! Mesmo que muitos não acreditem, reconheço que algumas vezes pode ser útil para alimentar as nossas esperanças num mundo melhor!»

Pensamos o mesmo sobre o teatro. E é também por isso que o teatro não podia deixar de marcar presença na edição 2017 da Festa do Avante!. O teatro que é sempre uma forma de intervenção, por exemplo, quando na peça João D., adaptada e encenada por António Jorge, a partir da obra do autor espanhol citada de início, nos é contado o estranho e curioso caso de um «jovem» de 40 anos que continua dependente da sua mãe e que tenta arranjar o seu primeiro trabalho.

No programa deste ano do Avanteatro assinalamos dois nascimentos: os cem anos de Romeu Correia (1917-1996) e os cento e cinquenta de Raul Brandão (1867-1930).

De Romeu Correia – um dos autores mais representados em Portugal mas que importa recuperar – vamos ter em cena duas peças: O Cravo Espanhol, pelo Teatro da Terra com encenação de Maria João Luís; e Bonecos de Luz, pela Companhia de Teatro de Almada com encenação de Rodrigo Francisco. A primeira peça era assim resumida pelo próprio autor: «Assim, com o tempo, conseguimos fundir o que de vagas recordações trouxemos da infância com o belo-da-idade-adulta saído do génio criador dos seus autores, que para o caso d’ O Cravo Espanhol foram: algumas figuras dos saltimbancos do Picasso do período rosa; a Paulette Goddard, a do vestido-trapo, quando esta personificava o fruto-juventude colhido por Chaplin; a Anna Magnani de alguns filmes neo-realistas italianos do após-guerra; o clima patético dos vagabundos-com-um-sonho-dentro d’ A Estrada, de Fellini, e todo o sortilégio que, felizmente, ainda surpreendemos para nosso regalo nas feiras, romarias, exibições de fantoches, nos dias de Circo, nos panto-mineiros-vendedores-da-banha-da-cobra (que arte e que poder de comunicação têm alguns destes tipos!); tudo isto, dizíamos nós, o passado e o presente muito bem digeridos no almofariz-da-vida, creio ter sido a teia-mestra da nossa farsa-trágica. Farsa-trágica, um conflito de amor e frustração baseado nas cegadas carnavalescas dos anos vinte. História dialogada numa linguagem directa e rude, sem papas na língua, como acontecia nos espectáculos de rua desses tempos.» A segunda peça tem um registo e um tom semelhantes pois o cinema e a figura de Charlot têm nela também um lugar preponderante.

De Raul Brandão, vamos ter Pelos que andam sobre as águas do mar, produzido pela Galateia e com encenação de Miguel Jesus. Partindo da obra Os Pescadores e do trabalho de pesquisa junto das comunidades piscatórias, este espectáculo pretende reflectir e homenagear as várias gerações de homens e mulheres que fizeram do mar a sua vida. Duas actrizes dão corpo e voz às suas histórias, convocando de forma poética, a memória e a paisagem da nossa Costa.

E é claro que vamos ter espectáculos para a infância e espectáculos de rua e música com muita animação.

Como sempre, o Avanteatro é um lugar a não perder na nossa Festa todos os anos renovada.

(texto elaborado pela Comissão do Avanteatro)




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