Editorial

«Intervir em múltiplas frentes, honrando o compromisso com os trabalhadores, o povo e o País»

AFIRMAR A ALTERNATIVA, REFORÇAR A CDU

Ocorreram nas últimas semanas alguns acontecimentos que, não deixando de traduzir problemas reais do País, simultaneamente são aproveitados para manipular e branquear as suas causas e responsáveis e dificultar a perspetiva de resposta que a situação requer.

De facto, as causas fundas da situação que vivemos nestas semanas têm de ser encontradas nas opções da política de direita ao serviço dos interesses do grande capital e de submissão aos ditames da União Europeia com as suas regras, limitações e constrangimentos. Foram estas opções, prosseguidas ao longo de décadas por sucessivos governos do PS, PSD e CDS que conduziram à obsessão pelo défice, ao ataque às funções sociais do Estado, aos cortes na despesa pública, aos ataques aos direitos laborais e às vulnerabilidades estruturais que estão na origem da situação que estamos a viver.

Relativamente ao anúncio de mudanças na composição do governo PS, o PCP sublinha, como sempre tem feito, que a questão que se coloca não é a da composição nominal do governo mas a da natureza da política que é praticada. «O que se impõe – reafirma em nota de imprensa o PCP – dando concretização à vontade de mudança que o povo português manifestou nas eleições legislativas, não é a permanência de opções que não rompem com a política de desastre nacional e com a convergência entre o PS, PSD e CDS em aspectos importantes, dos direitos dos trabalhadores à soberania, que se têm verificado». Para o PCP, o que se impõe é prosseguir e aprofundar a defesa, reposição e conquista de direitos; é assumir uma política que dê respostas aos constrangimentos, fragilidades e vulnerabilidades a que a política de direita conduziu o País; é assegurar a melhoria das condições de vida, o desenvolvimento e a soberania.

Relativamente à tragédia dos incêndios, há problemas a resolver de imediato. Nesse sentido, o PCP entregou esta semana na Assembleia da República um Projecto de Lei preconizando um conjunto de medidas. Trata-se de propostas que, não se circunscrevendo aos estritos limites impostos pelas regras da União Europeia, procuram responder a todos os problemas causados por este flagelo com medidas de apoio às vítimas, ao restabelecimento da actividade produtiva, à prevenção e ao combate eficaz aos incêndios.

No mesmo sentido, o PCP insiste que a resposta a estes e a outros problemas do País implica a reversão das medidas políticas responsáveis pelo  agravamento da exploração e empobrecimento do povo português, em particular as que resultaram da aplicação pelo governo PSD/CDS do Pacto de Agressão e implicam igualmente a ruptura com opções políticas do governo do PS que limitam o caminho da reposição de direitos e rendimentos e não permitem uma efectiva resposta a problemas essenciais com que o País está confrontado.

Entretanto desenvolve-se a luta de massas, sendo de registar a luta das populações nomeadamente em defesa do Hospital do Barreiro, a acção de solidariedade com a Venezuela promovida pelo CPPC no passado dia 5 de Julho e a realização de plenários e concentrações dos trabalhadores da PT e da greve que têm marcada para 21 de Julho.

Prossegue também a preparação das eleições autárquicas com muitas iniciativas por todo o País, nomeadamente em Faro, Seixal, Vila Franca de Xira e Foz do Arelho no último fim-de-semana com a participação do Secretário-geral do PCP.

Importa agora aproveitar o tempo que falta para assegurar o máximo de apresentações de listas com a tomada de medidas necessárias ao cumprimento dos objectivos traçados tendo presentes quer a necessidade de aproveitamento de todas as possibilidades e potencialidades de alargamento dos apoios à CDU quer a importância política do seu reforço eleitoral.

Dinamiza-se a preparação da 41.ª edição da Festa do Avante! com particular atenção à sua divulgação, venda da EP e implantação. Em breve será publicado um novo suplemento dedicado ao «Concerto A Revolução de Outubro de 1917 – 100 Anos de Futuro» de sexta-feira à noite. Ficarão assim reunidas ainda melhores condições para a organização de novas iniciativas de divulgação da Festa, que importa aproveitar.

Na Assembleia da República decorreu entretanto uma audição pública promovida pelo Grupo Parlamentar do PCP sobre «combate à precariedade e o emprego com direitos» que contou com a participação de Jerónimo de Sousa. Este é um combate que o PCP irá prosseguir com os trabalhadores e a sua luta com o objectivo de que a um posto de trabalho permanente corresponda um contracto de trabalho efectivo.

E é nesta intervenção em múltiplas frentes, honrando o compromisso com os trabalhadores, o povo e o País, que o Partido desenvolve esta intensa actividade. Mas esta acção será tanto mais intensa quanto mais força se der ao PCP que, hoje como sempre, não desperdiçará nenhuma oportunidade para levar mais longe a luta pela defesa, reposição e conquista de direitos e, ao mesmo tempo, pela alternativa que, como a vida vai mostrando, se torna cada vez mais urgente e necessária.



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