O mar contém recursos essenciais ao desenvolvimento do País
Património e potencialidades do mar no Espaço Ciência da Festa

FESTA DO AVANTE! O mar é, provavelmente, o mais importante recurso de que o País dispõe, ao mesmo tempo que povoa o imaginário popular e a cultura portuguesa. Disto e de muito mais se tratará no Espaço Ciência.

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Foi à volta de uma mesa de trabalho que o Avante! conversou com alguns dos elementos que preparam os conteúdos do Espaço Ciência, que este ano é dedicado ao tema Mar – património e potencialidades. Ao contrário do que aconteceu noutras edições, a temática impôs-se não por se assinalar qualquer efeméride com ela relacionada, mas pela sua importância intrínseca, sobretudo num país como Portugal, que, como lembrou o responsável pelo grupo de trabalho, Augusto Flor, «tem muito mais território marítimo do que terrestre».

Como já vem sendo hábito naquele espaço, também este ano o tema geral será observado sob diversas perspectivas, das ciências naturais (particularmente da biologia e geologia) às ciências sociais, das artes à literatura. A visão política sobre o assunto e as propostas do PCP para as várias vertentes em que ele se desdobra não poderiam deixar de estar presentes, ou não fosse o mar uma alavanca estratégica para o desenvolvimento do País, não apenas pelos imensos recursos que possui e pelo potencial económico que encerra como também por uma questão de soberania nacional. De facto, como salientou Augusto Flor, saber quem gere e quem deve gerir o mar português é, desde logo, uma matéria de grande relevância e actualidade.

Outra imagem de marca do Espaço Ciência – e em 2017 não será excepção – é o facto de as exposições serem totalmente originais, cabendo ao grupo de trabalho a sua concepção e produção e toda a investigação que lhe é inerente. Os habituais apoios e parcerias também estarão presentes, com apenas uma repetição face ao ano passado: o Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico, que continuará a permitir aos visitantes a realização de experiências e observações. Perante o tema concreto, são igualmente entidades parceiras do Espaço Ciência, este ano, o Aquário Vasco da Gama, o Museu Naval de Almada e a sua Associação de Amigos e a Mútua dos Pescadores, faltando ainda confirmar outras duas instituições, nas áreas da investigação e formação.

Rigorosa e diversificada

Quanto ao espaço (que este ano se localiza mais perto da Praça da Paz, onde durante anos esteve o Espaço Central), terá uma configuração diferente da habitual, assume Sílvia Silva, que também integra o grupo de trabalho da Ciência. Diferente será também o próprio conteúdo, com os tradicionais painéis expositivos a conviver com uma forte componente sensorial. Na área destinada às crianças, esta vertente audiovisual (nomeadamente sonora) terá uma especial presença, procurando-se recriar todo o ambiente marítimo. «O tema presta-se a isso», acrescentou.

Na fachada do pavilhão, revelou Sílvia Silva, estará inscrita em letras garrafais uma pergunta, que não quis por ora revelar, com a qual se pretende não apenas dar a conhecer o tema em destaque no seu interior como suscitar a curiosidade dos visitantes. À entrada estará exposto um elemento escultórico original – e realizado especificamente para o efeito – do artista plástico José António Silva. No interior, será ainda possível observar alguns modelos de embarcações, da autoria do modelista Luís Silva.

Quanto à exposição, ela estende-se pelos 560 metros quadrados do pavilhão, dividindo-se em seis grandes módulos: 1) contexto histórico, social e cultural; 2) enquadramento científico; 3) recursos marítimos; 4) desenvolvimento regional e nacional; 5) espaço criança; 6) artes e letras. Este último módulo estará patente no auditório de debates, que juntamente com os locais dedicados à realização de observações e experiências completa o espaço.

 

Um tema vasto como o próprio mar

Da componente das ciências naturais da exposição do Espaço Ciência falou Anabela Silva, realçando questões tão relevantes como as que se relacionam com a Plataforma Continental Portuguesa, tanto na sua definição geológica como na jurídica. Num momento em que se encontra em estudo uma proposta visando o alargamento desta plataforma a pertinência deste tema aumenta consideravelmente.

Os recursos minerais e metálicos subaquáticos e a biodiversidade existente nos campos hidrotermais, particularmente nos Açores, os ricos e diversificados ecossistemas costeiros (praias rochosas e arenosas, estuários, sistemas lagunares, sapais, pradarias marinhas e dunas), as causas da erosão costeira, as fontes de poluição e as energias renováveis potenciadas pelo mar serão outras questões em destaque, revelou.

Emília Costeira, por seu lado, falou dos recursos existentes no mar, destacando desde logo, pela sua importância, a Zona Económica Exclusiva do País, a maior da Europa e uma das maiores do mundo, e as imensas potencialidades dos recursos minerais do subsolo marítimo. Na exposição, acrescentou, será dado o devido destaque a algumas das principais actividades económicas relacionadas com o mar, como a pesca, a aquacultura, a salicultura, o turismo ou o comércio. As infraestruturas portuárias nacionais, as comunidades piscatórias e as actividades industriais ligadas ao mar terão também visibilidade nos painéis da exposição.

No campo das ciências sociais e humanas, revelaram Célia Figueira e Augusto Flor, serão sublinhadas as características culturais e sociais das comunidades litorais, particularmente as piscatórias, bem como as suas condições económicas. As questões relacionadas com a segurança no mar também estarão presentes. As propostas do PCP para as pescas e os pescadores, os portos e as infraestruturas, a dinamização da indústria e do aparelho produtivo, o aproveitamento dos recursos e a reconstituição do sector da marinha mercante, entre muitas outras, terão o devido destaque.

O mar como inspiração e motivo de criação artística é outra das vertentes da exposição, adiantou Alice Figueira, para quem a principal dificuldade é, devido ao tema, a vastidão de obras relacionadas com o mar: o estilo manuelino, Os Lusíadas, o disco Por Este Rio Acima contam-se entre os mais evidentes e notáveis exemplos, mas são apenas uma pequena parte do muito que existe.

 



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