- Edição Nº2277  -  20-7-2017

Greve na MEO amanhã <br>por emprego, direitos e futuro

URGÊNCIA No Grupo PT a luta crescente pelo emprego com direitos visa também impedir que a acção da multinacional Altice destrua uma empresa com importância estratégica para o País.

Na mobilização para a greve de 24 horas, amanhã, estão envolvidas praticamente todas as estruturas representativas dos trabalhadores das empresas do Grupo PT. A luta abrange a MEO e a Winprovit (para onde já foram passadas dezenas de trabalhadores da área de informática), onde neste momento é mais viva a ameaça de despedimentos, que a Altice procura camuflar sob a figura legal de «transmissão de estabelecimento». «Mas, se a situação não for travada enquanto é tempo, no futuro será analisado um âmbito muito mais alargado», alerta-se no comunicado conjunto que a Comissão de Trabalhadores da MEO e oito organizações sindicais (entre as quais, o Sinttav e o SNTCT, sindicatos da Fectrans/CGTP-IN) emitiram no dia 14.
As estruturas representativas dos trabalhadores convocaram igualmente para amanhã, dia 21, a partir das 13 horas, uma concentração nacional em Lisboa, frente à sede do grupo, nas Picoas, de onde partirá uma manifestação até à residência oficial do primeiro-ministro.
O plano de preparação da jornada de 21 de Julho incluiu a realização de plenários e concentrações, desde dia 7. Para ontem, a meio da manhã, estava marcada uma concentração de trabalhadores no Porto, junto ao edifício da PT na Rua Tenente Valadim. Outra concentração foi convocada para ontem, às 12h30, em Lisboa (Picoas).
«A expectativa da adesão é muito grande», referia uma nota do Sinttav sobre a mobilização na área do Grande Porto e Gaia, anunciando para as oito horas de amanhã, junto à CM Porto, a saída de autocarros com trabalhadores para a manifestação em Lisboa.
No dia 12, quarta-feira, centenas de trabalhadores reuniram-se em plenário nas Picoas e concentraram-se no exterior do edifício da PT, em apoio à jornada de amanhã. Bruno Dias, dirigente e deputado do PCP, numa breve saudação, realçou a importância decisiva da luta para derrotar os planos da multinacional.
Na sexta-feira, dia 14, uma acção semelhante teve lugar em Coimbra. Os trabalhadores começaram por reunir-se em plenário, a meio da manhã, deslocando-se depois para o exterior do edifício da PT, na Rua General Humberto Delgado. Uma delegação do PCP, que integrou Vladimiro Vale, da Comissão Política do Comité Central, e Francisco Queirós, membro do CC e vereador na CMC, esteve no local a prestar solidariedade.
Aqui, o coordenador da Comissão de Trabalhadores da MEO explicou aos jornalistas que a «utilização abusiva e fraudulenta do conceito de transmissão de estabelecimento» leva a que o pessoal atingido vá «para fora do universo PT, sem os direitos, sem os planos de saúde e sem todo o modelo social que nós ajudámos a construir» Citado pela agência Lusa, Francisco Gonçalves realçou que a luta é para defender estes trabalhadores, mas também aqueles que «estão sem funções» ou estão «encostados, subaproveitados» e «a ser empurrados para outras empresas».
Sobre as palavras do primeiro-ministro na AR, dia 12, o dirigente da CT observou que o Governo «tem de dizer o que está disposto a fazer» para dar seguimento a tais declarações.
Em Faro, um plenário no edifício da PT e uma concentração no Largo do Carmo tiveram lugar esta segunda-feira, dia 17, com quase uma centena de trabalhadores. Também aqui estiveram presentes dirigentes do PCP, reafirmando o apoio à luta.

Sempre mais lucros 

A gigantesca operação de chantagem e assédio sobre os trabalhadores da Portugal Telecom, intensificada nos últimos meses, tem por objectivo maximizar os lucros da Altice, que em dois anos arrecadou 2057 milhões de euros (antes de impostos), considerados insuficientes, como sempre sucede por parte do capital – acusa a célula do PCP na PT, num comunicado de dia 14.
O Partido refere que a multinacional quer libertar a PT de encargos assumidos e que já existiam quando a comprou, sendo apontado como objectivo deixar de contar com três mil trabalhadores no activo e outros tantos pré-reformados.
Actualmente, mais de 200 trabalhadores estão ameaçados de transferência compulsiva, enquanto outros 461 foram avisados de que irão para um processo similar, caso não aceitem propostas de rescisão «amigável».
Recordando que sempre combateu a entrega dos sectores estratégicos a grupos monopolistas e defende que esses sectores devem voltar ao controlo público, o PCP sublinha que agora está colocada outra urgência: ou o Estado intervém rapidamente, ou a PT pode sofrer danos irreversíveis que o País pagará por largos anos.
 

Nem PT nem MEO...

A marca MEO surgiu em 2007, como um serviço da PT Comunicações (fixas), para o mercado residencial. Em 2014 substituiu a TMN (comunicações móveis). Um ano depois a empresa Meo – Serviços de Comunicações e Multimédia, SA emergiu da fusão da MEO com a PT Comunicações.
Também em 2015, após o escândalo desencadeado com a operação no Brasil e a fusão com a Oi, o Grupo PT (Portugal Telecom, SGPS, SA, criado em 1994) foi dividido em PT Portugal SGPS, SA (proprietária da MEO, da PT Empresas e da Sapo, entre outras) e PT SGPS (holding que ficou com a participação de 25,6% na Oi e também com cerca de 900 milhões de euros de «investimento de risco»), designação que foi alterada para Pharol.
A PT Portugal SGPS SA foi vendida à Altice, num processo concluído a 2 de Junho de 2015. Esta multinacional anunciou há dois meses que vai extinguir em 2018 as marcas PT e MEO, substituindo-as pela insígnia global Altice.