Editorial

«acção do PCP desenvolve-se e intensifica-se com determinação e confiança»

INTENSIFICAR A ACÇÃO MUDAR O RUMO

Têm sido muitas as manobras do PSD e do CDS para impedir a concretização de avanços na actual situação política. Aproveitam todos os pretextos para desestabilizar e tentar fazer regredir o País à política de exploração e empobrecimento que promoveram no governo com a liquidação sistemática dos direitos dos trabalhadores e do povo e a imolação dos interesses soberanos do País. Com este intuito, ora esgrimem com a lista dos mortos no incêndio de Pedrógão Grande (evidenciando mais uma vez a sua característica sobranceria, arrogância e falta de respeito pelas vítimas da tragédia); ora desvalorizam os direitos dos trabalhadores da PT perante os «supremos» interesses da Altice; ora exibem a sua histórica demagogia populista sobre quem recebe o rendimento de reinserção social como se este não fizesse parte das funções sociais do Estado para situações de grande carência; ora criticam o diminuto aumento das pensões (que, aquém do que era justo e o PCP propunha, só a determinante intervenção deste Partido tornou possível) escamoteando que a coligação PSD/CDS não só não se propunha aumentá-las como se preparava para um corte de 600 milhões de euros no seu valor.

Em paralelo com esta acção desestabilizadora e em sintonia com os interesses do grande capital, através dos órgãos da comunicação social que concentram e controlam impulsionam uma vigorosa ofensiva ideológica contra o PCP, multiplicando artigos, comentários e editoriais com o objectivo de denegrir ou desvalorizar a sua intensa intervenção. Trata-se de uma acção dirigida contra o PCP e que, por antítese, é a prova mais evidente do grande incómodo que lhes causa o estímulo à luta de massas, a dinâmica preparação das eleições autárquicas e da Festa do Avante!, a dinamização de um vastíssimo conjunto de iniciativas pela defesa, reposição e conquista de direitos cujo aprofundamento é indissociável da luta pela concretização de uma política alternativa patriótica e de esquerda.

É por isso importante, apesar de limitado, o aumento do valor das reformas que se irá concretizar a partir de Agosto. No entanto, o Governo do PS não pode adiar outras medidas que respondem, mesmo que de forma limitada, a problemas do País, nomeadamente a concretização do direito à reforma para trabalhadores com longas carreiras contributivas, a canalização de meios para a prevenção e o combate aos incêndios florestais e para a reparação dos graves prejuízos sofridos pelas populações atingidas. Nem tão pouco se pode demitir das suas responsabilidades para impedir que a Administração da Caixa Geral de Depósitos aplique comissões sobre serviços bancários como se fosse banca privada. O Governo tem de intervir para que seja retomado o controlo público sobre os CTT e sobre as telecomunicações nomeadamente sobre a PT acautelando os interesses nacionais e os postos de trabalho, como os trabalhadores do sector reivindicam e o PCP há muito defende e faz parte da sua proposta alternativa.

A poucos dias do prazo-limite para a apresentação das candidaturas para as eleições autárquicas, desdobram-se os esforços para multiplicar contactos e alargar o número de listas da CDU a apresentar e que envolvem milhares de candidatos muitos dos quais independentes. Importa, pois, prosseguir esta acção de modo a concretizar até ao último minuto os objectivos definidos. E é igualmente neste quadro que se avança nos preparativos para a Festa do Avante! tendo presente que uma maior Festa do Avante! será, ao mesmo tempo, reflexo e condição do reforço do PCP e do alargamento da CDU como espaço unitário identificado com os valores de Abril de que a Festa é expressão político-cultural.

O PCP tomou também posição sobre as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela realizadas no passado domingo, dia 30 e cujos resultados constituem uma «importantíssima mensagem colectiva de defesa da Paz, da democracia e da soberania da República Bolivariana da Venezuela».

Perante «as manobras para intensificar a guerra económica e a violenta desestabilização golpista, as campanhas de mentira, de desinformação ou de ingerência externa», o PCP reafirma que deve ser respeitada a vontade soberana do povo venezuelano a quem cabe decidir do seu próprio futuro e da forma de organização do Estado venezuelano e que saúda por este expressivo e determinado acto de afirmação democrática e soberana.

E, em simultâneo, considera que a defesa dos interesses e da segurança da comunidade portuguesa residente na Venezuela implicam a condenação das acções desestabilizadoras, terroristas e golpistas sendo esta a atitude de respeito pela soberania da Venezuela que se exige por parte do Governo português.

Esta foi também uma semana em que ocorreram importantes lutas em numerosas empresas e locais de trabalho. Entre outras, destaca-se as lutas nas refinarias da Petrogal, na PT e na AutoEuropa envolvendo muitos milhares de trabalhadores.

E é neste quadro de determinação e confiança que a acção do PCP se vai continuar a desenvolver e intensificar exigindo respostas para os problemas imediatos dos trabalhadores, do povo e do País e um outro rumo de desenvolvimento soberano.



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