• Miguel Moura (texto)
    Elsa Severino (fotos)


O lema
«Nunca mais fascismo,
nunca mais guerras»
não é só
história
Acampamento pela Paz em Évora <br>afirma Festival Mundial da Juventude

JUVENTUDE Para afirmar o 19.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE), realizou-se este fim-de-semana, em Évora, o Acampamento pela Paz, com a participação de cerca de 300 jovens.

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Esta foi a 7.ª edição do Acampamento pela Paz, realizada nas Piscinas Municipais de Évora, depois de meses de preparação, de envolvimento de mais jovens, de mais associações e outras organizações – um processo que remonta ao Acampamento de 2016, em Silves. Aqui realizou-se a primeira reunião das organizações que viriam a constituir a base do Comité Nacional Preparatório do 19.º FMJE, que tem a responsabilidade de promover e organizar a participação da juventude portuguesa no Festival (que tem lugar em Sotchi, na Federação Russa, de 14 a 22 de Outubro) e que fez do Acampamento pela Paz o ponto alto deste trabalho.
Ao início da tarde de sexta-feira começaram a chegar os autocarros, vindos de todo o País. Depois de montarem as tendas e de aproveitarem o tempo para se refrescar nas piscinas, os jovens seguiram para a Praça do Giraldo, onde decorreu um concerto da Orquestra Estágio Gulbenkian. Depois fizeram a «festança» na Sociedade Operária de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar, com concertos e DJ.
Durante o dia de sábado ainda foram chegando mais jovens e foi também neste dia que decorreu a maioria das actividades, começando por uma visita guiada em Évora, com uma demonstração de fotografia polaroid, registando os espaços históricos da cidade Património da Humanidade, como a Sé, a Igreja de S. Francisco ou o Templo de Diana. Outros preferiram os torneios de vólei ou futebol, os workshops ou ir simplesmente para as piscinas. Os workshops sobre «Dicas para uma vida sustentável», promovido pela Ecolojovem, e sobre «Energia, produção alimentar e desigualdades a nível mundial», promovido pela Confederação Nacional de Jovens Agricultores, despertaram a curiosidade para estes temas.

Levar a luta até Sotchi

Da parte da tarde realizou-se um debate sob o mote «19.º Festival Mundial da Juventude e Estudantes, pela paz, a solidariedade e a justiça social, lutamos contra o imperialismo! Honrando o nosso passado, construímos o futuro!».
Após intervenções de Marta Antunes (do Conselho Português para a Paz e Cooperação), Tiago Vieira (que foi presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática e coordenador do Comité Organizador Internacional do 17.º FMJE, realizado em 2010, na África do Sul) e Duarte Alves (do actual Comité Nacional Preparatório), debateu-se o 19.º Festival, a luta da juventude no nosso País e no mundo e a história do movimento dos festivais mundiais (que remonta ao final da 2.ª Guerra mundial e à exigência, por parte dos jovens de todo o planeta, de que a história não se repita, sob o lema «Nunca mais fascismo, nunca mais guerras»).
Como ficou patente no debate, o Festival deste ano realiza-se num contexto marcado pelas agressões e ingerências do imperialismo, nomeadamente dos EUA, e por mais guerras, com consequências nefastas para os povos do mundo e com novos perigos para a paz mundial. O Festival poderá ter um impacto real nesta situação, ao mostrar que a juventude se organiza e luta contra o imperialismo e em defesa dos seus interesses, aspirações e anseios, seja no nosso País, seja na Venezuela, na Palestina ou na Síria, entre outros exemplos citados nas intervenções.
O jantar foi no Monte Alentejano, de onde nessa noite centenas de jovens desfilaram em direcção à Praça do Giraldo, gritando «Paz Sim! NATO Não!» e outras palavras de ordem em defesa dos valores da paz e do progresso social.
Chegados à histórica praça, onde já estavam centenas de pessoas, deu-se início aos concertos de Profjam e de Peste & Sida, momentos altos do programa.
No terceiro e último dia, houve uma aula de kickboxing (organizada pela ATKRSD Academy, de Évora), um torneio de pólo aquático (promovido pela Rádio da Escola Secundária Sebastião da Gama) e a pintura de um mural pela paz – actividades muito participadas. Antes de arrumar as tendas e as mochilas, houve ainda tempo para mais uns mergulhos. Os autocarros começaram a sair ao final do dia.
Os jovens que ali estiveram saíram com as baterias carregadas para continuar a luta lá, onde se dá o confronto, nas escolas e nos locais de trabalho, certos de que uma outra sociedade é necessária e possível e de que o seu papel é imprescindível para a construir.

 



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