A empresa
tem de negociar
o caderno reivindicativo
Greve na Sumol+Compal evidencia ilegalidade

REIVINDICAÇÃO Com a luta desta terça-feira, dia 29, os trabalhadores da Sumol+Compal mostraram firmeza e unidade, e colocaram a nu que a empresa não respeita a lei e paga abaixo do salário mínimo nacional.

A greve e a concentração, convocadas pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (Sintab), foram aprovadas em plenário, como forma de luta pela negociação da carta reivindicativa e pela aplicação do valor do salário mínimo nacional.

O sindicato da Fesaht/CGTP-IN estimou em 90 por cento o nível de adesão à greve, realizada das zero horas de dia 29 até às oito horas de ontem. Com as várias dezenas de trabalhadores que se reuniram frente à fábrica, na zona industrial da Formiga, durante a tarde, esteve o Secretário-geral da CGTP-IN.

Numa breve intervenção a saudar a luta, Arménio Carlos instou o Ministério do Trabalho, a Autoridade para as Condições do Trabalho e a direcção-geral do Emprego e das Relações de Trabalho a intervirem «imediatamente».

No local, a Lusa questionou a empresa, que garantiu cumprir a lei e praticar uma remuneração-base mínima de 575 euros. No entanto, a agência teve acesso a dois recibos de trabalhadores, nos quais constatou vencimentos-base de 551 euros e de 545 euros. Cópias de recibos semelhantes foram também enviadas pelo Sintab à nossa redacção.

Um dirigente do sindicato garantiu que, na unidade industrial de Pombal, estão verificados 30 casos com valores entre 541 e 553 euros. Rui Matias salientou que o «subsídio de harmonização» de 23 euros não pode ser entendido como parte do salário-base.

Na carta reivindicativa, datada de Junho, o segundo ponto diz respeito precisamente à exigência de que esse «subsídio» passe a ficar integrado na remuneração-base.

No primeiro ponto reivindica-se aumentos salariais de quatro por cento ou 40 euros. O Secretário-geral da CGTP-IN salientou que ali não existem aumentos salariais significativos há cinco anos, ocorrendo actualizações que representaram dois a 10 cêntimos por dia.

O lucro de 10,5 milhões de euros, em 2016, representou um aumento de 24,7 por cento face aos resultados da Sumol+Compal no ano anterior (8,4 milhões).

Os trabalhadores reivindicam ainda, entre um total de doze itens: igualdade salarial para as mesmas categorias e funções, adequar as categorias profissionais às funções desempenhadas, reestruturar o «prémio de produtividade» de acordo com as condições de trabalho impostas, melhorar as condições de trabalho, discutir com o Sintab e a Comissão Sindical tudo o que diz respeito aos trabalhadores (nomeadamente, quanto a mudanças nas formas e métodos de trabalho).

Durante a concentração foi denunciado que os Recursos Humanos pressionaram trabalhadores para assinarem um documento, ficando «proibidos de se pronunciarem sobre os problemas», o que configura assédio, acusou Arménio Carlos.

 

Solidariedade do PCP

Uma delegação do PCP, composta por Ângelo Alves, membro da Comissão Política do Comité Central, e por Fernando Domingues, candidato da CDU à Câmara Municipal de Leiria, esteve presente na concentração e transmitiu a solidariedade do PCP aos trabalhadores.
A Direcção da Organização Regional de Leiria do Partido, numa nota à imprensa, saudou a luta dos trabalhadores da Sumol+Compal e a sua determinação de avançarem unidos para a greve, num quadro de chantagens e repressão por parte da administração.

 



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