• Pedro Fernandes

Palco Novos Valores
Música na luta pela cultura

O Palco Novos Valores é a expressão máxima anual do mais abrangente concurso de bandas a nível nacional, promovido pela JCP, com o trabalho de militantes e amigos, e que revela uma motivação activista bastante profunda. Na verdade, o Palco Novos Valores «deve ser encarado como uma luta pela cultura, por parte dos artistas e de todos os outros jovens que participam de uma forma ou de outra no concurso», como nos disse Simão Calixto, do núcleo responsável pelo palco.

A campanha «Aumenta o som, baixa o IVA», lançada pela JCP no ano passado, pela redução do valor do IVA dos instrumentos musicais, foi mais um exemplo da luta pela cultura travada pelos jovens comunistas.

Neste ano em que o concurso completa 20 anos, sete bandas finalistas e outras tantas convidadas rumaram à Festa do Avante! para tocar no Palco Novos Valores.

Na sexta-feira, o programa abriu com duas bandas convidadas: os Original Bandalheira actuaram primeiro, com o seu estilo musical de fanfarra, e o hip-hop encerrou a noite pelas vozes dos Orteum.

No sábado, a programação deu mais espaço às bandas finalistas. No final da tarde, apesar do calor, o Palco Novos Valores atraiu um número avultado de espectadores. Tocaram primeiro os quatro Cassete Riscada, de Évora, fazendo-se notar por ritmos de indie rock e funk mais ligeiros. De seguida, entraram os Boca do Povo, de Braga, dando corpo a uma fusão de música tradicional com pop.

Algumas horas depois, foi a vez dos finalistas de Setúbal, In Extremis, presentearem o público com o seu rock progressivo. Seguiram-se de perto os Daniel’s Dead Bird, do Porto, para quem o bom da Festa do Avante! é o espaço que ela tem para todos. Os Junkie Birds de Aveiro apresentaram um reportório de blues rock, funk e modern rock. A encerrar tocaram os convidados Funk Off and Fly, guiados pelo vocalista Masta B.

No domingo, do Algarve vieram músicas mais pesadas com notas de intervenção social, com os Cicatriz, e os Zuuzaa, de Lisboa, com blues, rock e soul. Por fim, os Terra Livre, grupo convidado da noite, apresentaram temas de reggae-dub, gnawa, afrobeat e soukous («música da Terra», como um dos seus membros afirmou), enquanto o público dançava despreocupadamente.

 



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