• Vasco Cardoso

Renovação de votos

Miguel Sousa Tavares (MST) não suporta a existência do PCP, o seu papel na vida do País, o seu ideal e projecto comunista. Nos seus múltiplos comentários televisivos, nos inúmeros artigos de opinião que assina semanalmente no Expresso, MST não desperdiça nenhuma oportunidade para destilar o veneno que lhe corre nas veias contra o PCP. Fá-lo, sabendo de antemão que nunca terá pela frente quem o contrarie, quem desmonte as suas calúnias, as mentiras, as deturpações a que recorre. O seu pensamento e forma de actuação têm lugar garantido nos jornais e televisões dos balsemões deste país. O mesmo não se poderá dizer dos comunistas (e mesmo de muitos democratas e patriotas) a quem a presença mediática em matéria de opinião está, no essencial, vedada, em contraponto com o enxame de fazedores do opinião alinhados com os interesses do poder económico.

Esta semana MST voltou à carga no Expresso num artigo de opinião que faz uma espécie de compilação das principais linhas de ataque ao PCP que têm estado em voga em vésperas destas eleições autárquicas. Lá encontramos os mesmos simplismos medíocres e as mesmas atoardas balofas a propósito da Coreia, da Venezuela ou da Autoeuropa. O PCP ao lado de ditaduras sanguinárias, o PCP a «levar o Estado à falência», o PCP empenhado em fechar fábricas «só para mostrar quem manda nos operários». É este o nível dos argumentos para chegar à não pouco inocente conclusão de que o PCP é dispensável à actual solução política. Percebe-se onde o MST pretende chegar. Sem o PCP, não só muitos dos avanços alcançados nos últimos meses teriam ficado na gaveta, como teria continuado o cortejo de destruição de direitos e rendimentos com que MST sempre conviveu com particular conforto.

No longínquo ano de 1991, MST escrevia com pompa e circunstância no Semanário «O PCP acabou e ainda bem». A vida não só não confirmou este vaticínio, como o PCP a cada dia que passa se afirma como uma força cada vez mais necessária e indispensável ao povo português. Restará a MST, por muito que lhe custe, ir renovando os seus votos a cada quarto de século, pelo menos enquanto cá andar.

 



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