Falta a resposta patronal à forte greve na Somincor

MINEIROS Desde terça-feira até à manhã de sábado, não foi extraída uma pedra de minério e não foi produzida uma grama de concentrado em Neves-Corvo, devido a uma greve que poderá repetir-se em Novembro.

O «balanço bastante positivo» da greve na Sociedade Mineira de Neves-Corvo (Somincor, concessionária da exploração e propriedade da multinacional canadiana Lundin Mining) foi feito por um dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), na tarde de sexta-feira, dia 6.

À agência Lusa, Luís Cavaco disse que a luta parou completamente a extracção e as lavarias, desde o início, sendo apenas assegurados trabalhos mínimos de manutenção e segurança. Assegurou que, caso a administração continue a não dar respostas que vão ao encontro das reivindicações, como fez em sucessivas reuniões mensais com o sindicato, os trabalhadores vão avançar com mais dois períodos de greve, de duração semelhante a esta, em Novembro e em Dezembro.

Ao início da manhã de sexta-feira, o Secretário-geral da CGTP-IN esteve com o piquete e outros trabalhadores em greve, concentrados no principal acesso ao complexo mineiro do concelho de Castro Verde. Arménio Carlos, acompanhado por vários dirigentes do STIM e da Fiequimetal, imputou à administração a responsabilidade pela agudização do conflito laboral, pois não responde às reivindicações, particularmente quanto à organização dos horários de trabalho em laboração contínua, e pretende impor uma jornada de mais de dez horas seguidas.

Na terça-feira, dia 9, uma delegação do PCP, da qual fizeram parte membros da Comissão Concelhia de Castro Verde e da Direcção da Organização Regional de Beja e o deputado do Partido eleito por este círculo, João Ramos, levou aos trabalhadores da Somincor uma mensagem de solidariedade e de estímulo a que mantenham a unidade e a luta. Na véspera, a direcção regional tinha divulgado, em nota de imprensa, uma saudação à greve na Somincor, reiterando que os trabalhadores «podem contar com o PCP, como sempre contaram, lado a lado na linha da frente» de «uma luta que é também em defesa do aparelho produtivo nacional».

Os trabalhadores da Somincor e o STIM batem-se pelo fim do regime de laboração contínua no fundo da mina e pela humanização dos horários de trabalho, entre outras reivindicações, como a criação de condições de antecipação da idade de reforma dos trabalhadores das lavarias e a recuperação de rendimentos perdidos com o congelamento das progressões na carreira e a redução drástica dos montantes dos prémios. É também exigido que sejam erradicadas as práticas de pressão e repressão que algumas chefias têm vindo a intensificar.

 



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