A luta
dos trabalhadores continua a ser determinante
para avançar
Grande manifestação da CGTP-IN <br>aponta à intensificação da luta

CONTINUAR De todos os distritos do Continente, mais de 60 mil pessoas afirmaram no sábado, dia 18, em Lisboa, o compromisso de intensificar a acção e a luta pela valorização do trabalho e dos trabalhadores.

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Na resolução, aclamada após a intervenção central, nos Restauradores, ficou inscrito que, «considerando o papel insubstituível da luta na defesa, reposição e conquista de direitos, os trabalhadores participantes na grande manifestação nacional de 18 de Novembro, em Lisboa, assumem o compromisso de intensificarem a acção e luta reivindicativa nos seus locais de trabalho, empresas e serviços». Os objectivos principais desta luta são elencados logo de seguida, em nove alíneas.
A importância da luta dos trabalhadores fora também realçada nas primeiras frases da intervenção central de João Torres, da Comissão Executiva da CGTP-IN (o Secretário-geral, Arménio Carlos, participou na manifestação, mas um problema na voz impediu-o de usar da palavra). O dirigente salientou que «a luta é o motor do desenvolvimento» e que «é impossível separar a dinâmica reivindicativa dos avanços que, sendo limitados, possibilitam a devolução de direitos e rendimentos e, acima de tudo, travaram a sangria, que o PSD e o CDS se preparavam para continuar e intensificar, aos trabalhadores e ao País».
«A luta continua, nas empresas e na rua» foi uma das palavras de ordem mais repetidas pelos manifestantes – pelo menos, 60 mil, como João Torres anunciou – ao longo do desfile que partiu do Marquês de Pombal às 15h30 e terminou pouco depois das 17 horas, com os últimos grupos parados na Avenida da Liberdade, desde o cruzamento com a Rua das Pretas, sem conseguirem chegar até junto do palco.
Pouco depois de nos Restauradores soarem os hinos, houve por ali um outro «cruzamento», entre quem ainda estava virado para o palco e quem já estugava o passo, Avenida acima, quase como se fosse uma nova manifestação a formar-se. Para a viagem de regresso a casa, em três longas filas paralelas, esperavam-nos muitos dos quase 200 autocarros fretados pelos sindicatos para esta jornada.
Foram também organizados quatro comboios especiais: três do distrito do Porto e um de Braga.
 

Norte à frente

Para algumas dezenas de trabalhadores da Soares da Costa, com salários em atraso e muita incerteza e preocupação quanto ao futuro, a jornada começou mais cedo. Duas horas antes das 15 aprazadas para a concentração na Praça do Marquês de Pombal, estiveram junto à residência oficial do primeiro-ministro, a reclamar uma intervenção do Governo.
Ainda com muito sol a temperar a tarde, foram-se perfilando sem pressa a cabeça da manifestação, no topo da Avenida, e, por toda a praça, a Interjovem e as organizações distritais. Na frente, os bombos e as vozes dos Karma Drums amplificaram o sinal para o arranque da manifestação (a qual, ao contrário do que se disse nalgumas notícias, por distracção ou por conveniência, não foi a primeira que a CGTP-IN promoveu este ano).
Dirigentes da confederação encabeçaram o desfile, segurando uma grande faixa vermelha, com a inscrição «Valorizar o trabalho e os trabalhadores», motivo maior da manifestação. A mensagem era completada com aquela que os jovens exibiam, uns metros atrás: «Posto de trabalho permanente = Vínculo de trabalho efectivo!».
As palavras de ordem iam completando o leque das razões desta jornada: «35 horas para todos sem demoras», «Sem contratação não há democracia», «Igualdade tem de ser realidade», «É mesmo necessário o aumento do salário», «Público é de todos, privado é só de alguns».
Os turistas que fotografavam e filmavam a manifestação puderam gravar também verdadeiros coros a cantar «Grândola Vila Morena».
Muitos aposentados e reformados manifestaram-se com os demais trabalhadores dos respectivos distritos, mas representações da Inter-Reformados e do MURPI desfilaram logo atrás do grupo da Interjovem.
Com um carro de som e uma faixa a exigir aumento dos salários e um salário mínimo nacional de 600 euros a partir de Janeiro, o Porto foi o primeiro dos distritos. Tiveram lugar de destaque os trabalhadores da Soares da Costa, da Petrogal (Galp Energia), da Portugal Telecom e os «subcontratados em luta» da Altice, da NOS e da Vodafone. Faixas e cartazes marcaram a participação de trabalhadores da Sakthi, da Groz Beckert, da Caetanobus, da Efacec, da Cabelte, também do MDM e da CNOD, da Fico Cables, da Tegopi, de vidreiros, da hotelaria e cantinas, do Continente e do Pingo Doce, das indústrias têxteis e de calçado, dos transportes, das indústrias de alimentação, da Função Pública, das autarquias locais.
Trabalhadoras do Continente (Sonae) de Vila Real e Bragança juntaram-se numa faixa, seguidas de outros camaradas de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Delphi, Bosch, Tesco, Jado Ibéria foram algumas das empresas evidenciadas no grupo de Braga, onde se ouviu que «O descanso semanal é direito fundamental», enquanto o STAL clamava que os trabalhadores das autarquias estão «fartos de serem maltratados». Também reparámos na Pariva (reformados do Vale do Ave), na ASPP/PSP e na APG/GNR, nos trabalhadores do sector têxtil.
As mulheres destacavam-se no animado grupo de Viana do Castelo.
De Coimbra, gritando «Taxar o capital é urgência nacional», vieram trabalhadores do comércio e serviços, da Função Pública, das cantinas, das autarquias locais. E veio a luta pela abolição das portagens na A25, na A24 e na A23 – uma exigência que também se destacaria, daí a pouco, em Castelo Branco, o último dos distritos beirões na Avenida, combatendo portagens e desertificação, marcando motivos de luta no Grupo Auchan e na indústria têxtil, bem como na Saúde.
Antes, da Guarda e de Viseu, manifestaram-se funcionários das autarquias locais, da Educação e da Saúde, dos hotéis Montebelo.
No distrito de Aveiro, destacavam-se duas grandes faixas, a marcar a presença do STAL e a reclamar a reabertura do Centro de Saúde de Espinho, mas estavam bem visíveis as mensagens de trabalhadores corticeiros, dos têxteis, da Colep, do Pingo Doce.
Do «Ribatejo em luta» vieram trabalhadores da Função Pública, das Carnes Nobre, reformados do Couço.
Vidreiros, Função Pública, jovens, pescadores, trabalhadores das indústrias transformadoras, da hotelaria e do comércio, da ESIP preencheram a participação do distrito de Leiria.
Pessoal dos hospitais de Elvas e Portalegre e das autarquias locais destacou-se no Norte Alentejano.
Do Algarve, entre muitos outros, estiveram trabalhadores do Inatel, do DIA (Minipreço e Clarel), da Algar.
Bandeiras e faixas do STAL destacaram-se em Évora e Beja, onde também se exigiu uma política de esquerda e soberana.
 

O palco ao longe

A cerca de dez minutos das 17 horas, o grupo de aguerridos reformados de Almada e outros manifestantes, na frente do distrito de Setúbal, tiveram de parar sem passar a última transversal antes dos Restauradores. Com eles estavam, identificados em colectivo, trabalhadores do comércio (Jumbo, Giovanni Galli, Inditex), da Autoeuropa, da Simarsul, da Função Pública, de autarquias locais (Almada, Seixal, Sesimbra, Alcochete, Santiago do Cacém, Setúbal, Palmela, Moita, Barreiro), da URAP (Seixal).
Nos vários distritos já se tinha visto muitas bandeiras da Fenprof e dos sindicatos, mas um grande grupo de professores desfilou entre Setúbal e Lisboa.
Entre aqueles que não puderam acercar-se do palco, parados desde a zona da estátua de Simon Bolívar, estiveram trabalhadores de super e hipermercados, do Grupo Lusíadas Saúde, dos SAMS (SBSI), da banca e dos seguros, enfermeiros, da administração local, da OGMA, da arqueologia, da cultura e espectáculos, dos transportes e comunicações (Metropolitano, ferroviários, rodoviários, aviação, mas também utentes, reclamando melhores serviços), dos concelhos de Loures, Lisboa, Vila Franca de Xira, Sintra, Amadora, Oeiras, da Função Pública e IPSS, da hotelaria, da CelCat, e activistas do CPPC, apelando à subscrição da petição pela proibição das armas nucleares, e da Associação Conquistas de Abril.

Convergência numa magnífica jornada

Jerónimo de Sousa, acompanhado por vários dirigentes do PCP, saudou a passagem da manifestação frente ao centro de trabalho Vitória. Em breves declarações aos jornalistas, o Secretário-geral explicou que a direcção do Partido prestava, assim, «solidariedade aos trabalhadores que transformaram esta manifestação numa grande jornada de luta, com um objectivo muito preciso: a convergência de todos os sectores em objectivos que preocupam quem vive do seu trabalho e que levaram a esta magnífica jornada».
Referiu, entre os principais objectivos reivindicativos, o aumento geral dos salários e o aumento do salário mínimo nacional para 600 euros em Janeiro de 2018, o combate à precariedade no trabalho, a defesa dos serviços públicos e da Administração Pública.
O Secretário-geral do Partido e os demais camaradas da delegação integraram-se na manifestação à passagem dos trabalhadores das áreas da cultura e espectáculos, organizados no sindicato CENA-STE.

Contra a política do passado

«Há avanços, mas é curto o caminho até agora percorrido, quando comparado com o muito que há para andar. O caminho diante de nós é sinuoso, mas vamos continuar a luta pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, contra a política do passado; uma política de submissão ao Tratado Orçamental, aos constrangimentos do euro, à obsessão do défice, que esmaga direitos e a uma dívida que rouba grande parte da riqueza que produzimos; uma política do passado assente em baixos salários, na precariedade no trabalho que se converte em precariedade na vida e numa espiral de fragilização dos direitos de quem trabalha e na rapina dos seus parcos rendimentos.
Este é o nosso tempo! Um tempo em que urge dar às palavras, reconhecimentos e proclamações de vontades, um sentido prático, traduzido em medidas concretas.»

João Torres, da Comissão Executiva da CGTP-IN

 

Razões de combate

Na resolução desta manifestação são apontados os principais objectivos que justificam a intensificação da acção e da luta:

Aumento geral dos salários em pelo menos 4%, com acréscimo salarial não inferior a 40 euros;
Fixação do salário mínimo nacional em 600 euros em Janeiro de 2018;
Emprego com direitos, combatendo a precariedade e dinamizando a subscrição da petição nacional contra a precariedade;
Reposição do direito de contratação colectiva, revogação das normas gravosas da legislação laboral (nomeadamente da caducidade das convenções colectivas) e a reintrodução do princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador e da renovação automática;
Contra o aumento e a desregulação dos horários de trabalho (adaptabilidades, bancos de horas e horários concentrados), pelas 35 horas de trabalho semanal para todos e pelos dois dias de descanso semanal consecutivos, ao sábado e domingo;
Pelos 25 dias úteis de férias;
Pela afirmação dos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e a efectivação dos seus direitos individuais e colectivos nos locais de trabalho;
Pelo aumento das pensões e reformas e pelo fim de todas as penalizações para todos quantos queiram aceder à reforma ou aposentação com pelo menos 40 anos de contribuições;
Pelo reforço, melhoria e universalidade dos serviços públicos e das funções sociais do Estado.

 

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