Melhorar
as condições
na mina
tem efeitos positivos
na vila
Greve nas minas de Aljustrel <br>reforçada com apoio popular

UNIDADE Na greve de 22 a 26 de Novembro, por melhores salários, horários e condições de saúde e segurança, os trabalhadores das minas de Aljustrel e o seu sindicato tiveram a população do seu lado.

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Há um mês, decorria um período de greves na Somincor, no concelho de Castro Verde, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira tinha prevenido que poderia haver luta também em Aljustrel. Num comunicado, na última semana de Outubro, o STIM dava conta da «fortíssima participação de trabalhadores das minas de Aljustrel no plenário geral de 18 de Outubro» e do «reforço muito significativo da sindicalização».

Para os problemas e reivindicações então apontados exigia-se respostas positivas e urgentes, uma vez que o sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN «há muito» os levara à administração da concessionária, Almina, e das sub-contratadas EPDM (Empresa de Perfuração e Desenvolvimento Mineiro) e Urmáquinas.

Antes dos salários baixos, sujeitos frequentemente a descontos inaceitáveis e mesmo ilegais, o STIM reclamava investimento nas condições de vida e de trabalho, apontando falta de meios humanos (técnicos de prevenção) e deficiências de máquinas e equipamentos, bem como insuficientes condições de higiene e segurança. Também aí constava o número muito reduzido de trabalhadores que são classificados como mineiros e os horários de trabalho que, sobretudo na lavaria, não permitem a conciliação da actividade profissional com a vida familiar e pessoal.

Como então o sindicato avisava, o caminho acabou por ser a luta. No dia 3 de Novembro foram apresentados os pré-avisos de greve, para o período entre as 6 horas de dia 22 e as 8h30 de dia 26.

Procurando dividir para reinar, os patrões e seus capatazes contactaram alguns trabalhadores, como denunciou o STIM. Num comunicado que divulgou no dia 22, o sindicato observou que a administração da concessionária «teve muito tempo para apresentar propostas e soluções, mas só à beira da greve é que vem fazer promessas, para tentar desmobilizar os trabalhadores».

Nesse dia, os trabalhadores, como se refere no relato publicado na página electrónica da Fiequimetal, deram a devida resposta às manobras patronais: primeiro, com uma muito forte adesão à greve, provocando a paragem da extracção de minério e da lavaria (produção de concentrados de cobre e zinco); depois, concentrando-se em grande número na entrada da mina de Feitais, onde se formou um piquete de greve.

Uma delegação do PCP, de que fizeram parte Miguel Madeira e Miguel Violante, membros do Comité Central, João Ramos, deputado na AR, João Pimenta Lopes, deputado no PE, e outros camaradas, esteve no local desde o início da greve.

Dali partiu, ainda nessa quarta-feira, uma primeira manifestação até ao centro de Aljustrel, para expor publicamente os motivos da luta e apelar à solidariedade dos demais trabalhadores e da população da vila mineira.

No dia seguinte, o sindicato emitiu um comunicado a agradecer o apoio; a lembrar que «foi a unidade da população e dos trabalhadores, numa luta persistente, que tornou possível, em 2009, a retoma da actividade extractiva nas minas de Aljustrel»; a salientar que «hoje, como no passado, essa unidade continua a ser necessária e desejável»; e a anunciar novas manifestações para sexta-feira e sábado.

Foi especialmente expressiva a jornada de sábado, ao final da manhã. Com concentração no Largo do Mineiro, a manifestação foi aberta pelo Grupo Coral do Sindicato dos Mineiros, cantando o hino «Santa Bárbara» e modas do trabalho, da mina e da vila.

Centenas de pessoas integraram o desfile até à mina de Feitais, a cerca de dois quilómetros, umas vezes em pesado silêncio, outras acompanhando as cantigas ou gritando palavras de ordem, suscitando aplausos e incentivos de muitos moradores, alguns dos quais não continham a comoção.

No final da manifestação, rompendo o cordão que a segurança da empresa tentou formar numa rotunda mais afastada, foi cumprido à entrada do complexo mineiro um minuto de silêncio em memória daqueles que ali morreram a trabalhar.

A determinação para prosseguir a luta, caso a administração não abra negociações com o sindicato, foi afirmada em diversas ocasiões.

Formalizada pelo sindicato a reafirmação da disponibilidade para negociar, depende agora da resposta patronal a concretização de uma nova greve em Janeiro, em termos que o STIM e os trabalhadores definirão oportunamente. 

Sem mineiros

O facto de as empresas terem adoptado a estratégia de evitar que os trabalhadores das minas de Aljustrel sejam classificados como mineiros tem como resultado que os salários permaneçam nos níveis mais baixos do sector, a rondar os 600 euros, com horários que comportam jornadas de dez horas.
Durante os dias de greve, o STIM e os seus dirigentes explicaram à agência Lusa, à SIC e à Rádio Ourique que, desta forma, os trabalhadores ficam estagnados na profissão, como manobradores, condutores, auxiliares ou serventes. Aquela é «uma mina sem mineiros», porque, se fossem classificados na devida categoria profissional, os mineiros teriam direito a progressões na carreira e os salários subiriam.

 



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