Os EUA estão em causa enquanto mediador do conflito israelo-árabe
EUA isolados no Conselho de Segurança em resolução sobre estatuto de Jerusalém

PALESTINA OS EUA vetaram, segunda-feira, 18, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, uma resolução que instava Washington a retroceder no reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.

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O representante de Washington foi o único entre os delegados de 15 países a chumbar o texto apresentado pelo Egipto. Contudo, dado o poder de veto que os norte-americanos detêm, a resolução acabou por ser chumbada.

O facto de todos os restantes membros do CS da ONU, entre os quais os quatro estados com assento permanente (Rússia, China, França e Grã-Bretanha), terem votado favoravelmente o apelo para que os EUA retrocedessem na decisão de alterar o estatuto de Jerusalém, evidencia o isolamento da administração liderada por Donal Trump nesta matéria.

Mais, a postura assumida pelos norte-americanos coloca em causa o papel dos EUA enquanto mediador do conflito israelo-árabe sobre a Palestina, e representa um apoio aberto à política sionista de negação dos direitos dos palestinianos, traduzida na agressão e liquidação física, na ocupação de terras, expulsão dos palestinianos e construção de colonatos – práticas condenadas internacionalmente, incluindo através de resoluções aprovadas no CS da ONU, sublinhou um porta-voz da Autoridade Nacional Palestiniana em declarações de reacção à votação.

A parcialidade dos EUA foi, de resto, realçada durante a intervenção do representante da Palestina, Estado reconhecido por 138 países. Perante o CS das Nações Unidas, Riad Mansur considerou, ainda, que qualquer decisão unilateral de Washington respeitante ao estatuto de Jerusalém é nula na medida em que contraria todas as decisões anteriores assumidas em vários órgãos da ONU.

Entretanto, depois de terem declarado que vão reconhecer Jerusalém Oriental como capital do futuro Estado da Palestina, os países da Organização de Cooperação Islâmica anunciaram que pretendem levar a resolução agora vetada pelos EUA a novo sufrágio, desta feita na Assembleia-geral das Nações Unidas.

Resistência

Desde o passado dia 6 de Dezembro, quando o presidente Donald Trump anunciou a deslocação da embaixada dos EUA para Jerusalém e o reconhecimento desta cidade como capital de Israel, os protestos não param na Cisjordânia, Jerusalém e Faixa de Gaza. Só na sexta-feira, 15, a jornada de manifestações deixou um saldo de mais de 50 palestinianos feridos e quatro mortos pelas forças sionistas, entre as quais Ibrahim Abu Thuraya, um resistente que já havia ficado sem pernas durante um bombardeamento israelita contra a Faixa de Gaza, e cujo «crime», desta feita, foi segurar uma bandeira da Palestina frente aos soldados ocupantes.

Também na sexta-feira, na cidade Sakhnin, milhares de cidadãos árabes-israelitas marcharam contra a alteração do estatuto de Jerusalém, pela paz e os direitos nacionais do povo palestiniano. No dia seguinte, milhares de israelitas manifestaram-se em Telavive contra a corrupção, exigindo a demissão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do procurador-geral, o qual acusam de estar a proteger o chefe de governo de Israel. Acções semelhantes ocorreram em Jerusalem, Haifa, Modi’in, Ashkelon and Ashdod, informa o Partido Comunista de Israel.

Netanyahu já foi interrogado pelas autoridades policiais sete vezes este ano. Em causa estão suspeitas de ter aceitado ofertas, no valor de milhares de euros, de empresários em troca do favorecimento dos interesses destes, e de, por seu lado, ter subornado um editor de um jornal israelita de grande expansão com o objectivo de obter uma cobertura jornalística mais «amigável».

A fragilidade interna em que se encontra Benjamin Netanyahu e o seu executivo é apontada como uma das razões para a decisão unilateral de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, uma vez que, dessa forma, desviaria as atenções e aliviaria a pressão popular sobre um dos «falcões» do imperialismo no Médio Oriente.




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