A degradação vai muito além do encerramento de estações
Defender o serviço público e universal dos CTT

INDIGNAÇÃO O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) alerta para a degradação, «como não há memória», do serviço prestado pelos CTT. A luta contra o encerramento das estações prossegue em todo o País.

No final de uma audição na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, realizada no dia 12, sobre a situação dos Correios de Portugal, Rui Monteiro, presidente do MUSP, lembrou que a degradação do serviço «vai muito além do encerramento de estações» (22), sendo cada vez mais habituais, «em 99,5 por cento dos casos», as «esperas superiores a meia hora».

Rui Monteiro apontou que «o agravamento da degradação» também se sente «no atraso das entregas» e que os CTT deixaram de ser «uma empresa postal» para ser «uma entidade bancária que, por acaso, também distribui correspondência».

Na quinta (11) e sexta-feira (12), o MUSP realizou concentrações de protesto frente às estações de Olaias, Socorro e Junqueira, em Lisboa. No Socorro, João Ferreira, vereador do PCP na Câmara de Lisboa, manifestou estar solidário «com a luta justa e necessária das populações» e reclamou que o Governo «trave, no imediato, aquele que é um processo de destruição de uma empresa estratégica para o País, com cinco séculos de história».

Em Sintra, o PCP iniciou, dia 12, um abaixo-assinado «Contra o encerramento da Estação de Correios da Barota», onde os primeiros signatários se concentraram em protesto. Na petição refere-se que o fecho da estação «prejudicará os moradores da Barota» e «as populações de Belas e Massamá». «Passaremos a ter apenas duas estações de correios para servir cerca de 80 mil habitantes», adverte o documento do PCP.

Novo ataque
A Câmara Municipal do Seixal aprovou, na quinta-feira, por unanimidade, uma tomada de posição contra o encerramento dos CTT de Aldeia de Paio Pires. Joaquim Santos, presidente da autarquia, sublinhou que as privatizações, não só nos CTT, têm sido «ruinosas» para a função das empresas e para a qualidade do serviço que prestam, «afectando de forma negativa os direitos das populações, a economia e o interesse nacional». No dia 9, mais de uma centena de pessoas manifestou-se contra o encerramento da estação dos CTT de Aldeia de Paio Pires, onde residem cerca de 15 mil pessoas.

No dia 11, realizou-se uma outra concentração – promovida pela Comissão de Utentes dos Serviços Públicos da União de Freguesias de Camarate, Unhos e Apelação – para evitar o encerramento da estação dos CTT de Camarate, Loures. A iniciativa contou com a presença de Bernardino Soares, presidente da Câmara Municipal.

Em nota de imprensa, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT) lembra que «a privatização dos CTT foi prejudicial para o País e para os portugueses» e exige que o Estado tome «medidas urgentes» para reversão da situação.

Degradação inaceitável

Os comunistas da Madeira realizaram, no sábado, 13, uma acção para protestar contra o encerramento da estação dos correios no Caminho de Santo António.

Na ocasião, Ricardo Lume, deputado comunista na Assembleia Legislativa da Região, referiu que «a degradação dos serviços prestados pelos CTT é uma realidade que já ultrapassa o aceitável».

No dia 8, os comunistas da ilha de São Miguel, Açores, repudiaram o encerramento da estação da Calheta, na freguesia de São Pedro, em Ponta Delgada. «Este posto dos CTT é um dos que tem maior actividade», salientaram, em nota de imprensa.




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