A história do MDM é feita de muitas lutas
Lutas das mulheres em exposição na Biblioteca Nacional

MDM Mais de uma centena de pessoas fizeram questão de estar presentes, quinta-feira, dia 15, na inauguração da exposição «50 anos em movimento. Mulheres fazendo história», patente na Biblioteca Nacional até 19 de Maio.

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A iniciativa que assinala os 50 anos do Movimento Democrático de Mulheres (MDM) começou com a actuação do Grupo Coral Feminino «As Papoilas do Enxoé», de Vale Vargo, Serpa. As mulheres do Grupo trouxeram até Lisboa temas como «Maria da Castanheira», «Alentejo não tem sombras» e «Trigueirinha Alentejana».

O momento prosseguiu com poesia, dita por Andreia Egas. A declamação de «Mulheres de Abril», de Maria Teresa Horta, «A forma justa», de Sophia de Mello Breyner Andresen, «Poema dos braços nus das mulheres», de António Gedeão, e «Mulher», de B.B. Pásion, foi acompanhada à viola por Vanessa Borges.

Numa banca de livros, os visitantes puderam adquirir obras como «O cante no feminino», «As mulheres e a deficiência», «Maria Lamas – Uma mulher a figurar no Panteão Nacional», «Carta dos direitos das mulheres» e «Conferência Internacional. Tráfico de Mulheres – Romper silêncios», mas também sobre o «9.º Congresso do MDM» e um bloco de notas que assinala o 50.º aniversário do movimento.

Grandes momentos
Seguiram-se as intervenções de Maria Inês Cordeiro, Directora-geral da Biblioteca Nacional e de Teresa Fragoso, da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

Regina Marques, da Direcção Nacional do MDM, por seu turno, começou por assinalar que a exposição «conta uma história, um passado e um presente» de um movimento de mulheres que tem «singularidade no panorama nacional dos movimentos de mulheres e uma marca distintiva que o projecta para um futuro».

Aquela mostra, com documentos do arquivo do MDM, espelha os «grandes momentos históricos que o País e o mundo atravessaram, ligando a luta das mulheres portuguesas por direitos sociais, direitos políticos, direito ao trabalho e salário igual, contra as violações e violências, tráfico de seres humanos, interrupção voluntária da gravidez, à luta de solidariedade com mulheres em luta por causas como a independência e a libertação, contra as guerras e assassinatos, contra a exploração sexual das mulheres e a prostituição, o respeito pelas imigrantes, pela orientação sexual e a identidade de género e suas diferentes manifestações culturais», referiu a dirigente.

História com futuro
A exposição, concebida por Fernando Carvalho e Luísa Antunes, recorda, por exemplo, os processos eleitorais de 1969 e 1973, a luta pela libertação dos presos políticos e contra a guerra colonial, que marcaram a actividade do MDM nos últimos anos do fascismo.

Depois de «um tempo de escuridão, de «silêncios e silenciamentos terríveis», de «profundas mistificações e humilhações», a «alegria veio para a rua, no dia 25 de Abril» de 1974, o que está bem patente na mostra. «A Revolução que às mulheres devolveu a dignidade, inscreveu na Constituição da República, de 1976, as grandes transformações políticas e económicas de Abril, e o fim da discriminação com base no sexo», valorizou Regina Marques, sem esquecer os «adversários e inimigos» (da Revolução) que «nunca desistiram» de pensar na «liquidação de direitos» e nos «retrocessos sociais», sendo «as mulheres sempre as primeiras a sentir os seus efeitos».

Confiança na luta
Sobre o presente, alertou: «Novos estereótipos surgem a justificar a precariedade no emprego e a remeter a mulher para processos de trabalho, ínvios, duros, sem direitos, com horários, ritmos, desregulados e intensivos, desumanos. Dificuldades acrescidas no exercício da maternidade/paternidade.»

No entanto, «há sempre quem resista e lute». «Vemos com alegria e confiança a luta das mulheres por políticas de igualdade que vão ao encontro dos problemas mais urgentes da vida das mulheres, que não dissociem os aspectos culturais ou de maternidade, da luta pela justiça social, por direitos laborais e fundamentais das mulheres como cidadãs, trabalhadoras e mães, num quadro em que é imprescindível o desenvolvimento estratégico do País», disse Regina Marques.

Uma delegação do PCP, constituída por Manuela Pinto Ângelo, Fernanda Mateus e Rosa Rabiais, marcou presença na iniciativa.

Tantas razões para lutar no dia 10 de Março

O MDM vai realizar no dia 10 de Março, em Lisboa, uma Manifestação Nacional de Mulheres. Com o lema «Igualdade e justiça social. No presente, com futuro», a acção tem início às 14h30, nos Restauradores, e constitui um ponto alto das comemorações do Dia Internacional da Mulher, que terão lugar em todo o País.

Previstos estão já autocarros de vários distritos do País. Mais informações em www.mdm.org.pt.

Dar voz
Segundo o movimento, a manifestação «dará voz às mulheres, à sua luta contra as desigualdades, discriminações e violências que marcam o seu quotidiano e contra as situações de desrespeito pelos seus direitos».

«São tantas as razões da nossa luta!», afirma o movimento, que exige uma «verdadeira política de igualdade», que «ponha fim ao desemprego, à precariedade, aos baixos salários, à discriminação salarial, à desregulação dos horários de trabalho», respeite «a função social da maternidade e paternidade e assegure o direito das mulheres a terem os filhos que desejam» e valorize «os salários, o salário mínimo nacional, as reformas e pensões».

O MDM reclama, ainda, uma política que combata «as violências contra as mulheres e as raparigas, reforce a protecção e o apoio às vítimas, e combata a mercantilizarão do corpo da mulher», promova « o direito à saúde para todos e a saúde sexual e reprodutiva, no quadro do Serviço Nacional de Saúde», reforce «os direitos das mulheres à segurança social, à justiça, à habitação e transportes, ao acesso a uma rede pública de apoio à infância, aos idosos e às pessoas com deficiência» e valorize «o estatuto social das mulheres, as suas qualificações e saberes».

Espectáculo em Faro

No dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher vai ser assinalado, em Faro, com um espectáculo cultural comemorativo. Com o lema «Mulheres. Igualdade e justiça social. No presente, com futuro», o momento conta, numa primeira parte, com a actuação da Companhia de Dança do Algarve (CDA), do FáDó Tropical – Emanuela Furtado, do Afonso Dias com Teresa Silva e Tânia Silva e do Grupo Coral Feminino «As Papoilas do Enxoé». A segunda parte do espectáculo conta com Luís Galrito e António Hilário, As Moçoilas e o Grupo Coral «Volta e Meia».




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