Assassínio de jornalista levanta suspeitas sobre governo de Fico
Milhares homenageiam jornalista assassinado

ESLOVÁQUIA Milhares de pessoas participaram em manifestações anticorrupção, realizadas, dia 2, por toda a Eslováquia após o duplo homicídio que vitimou o jornalista Jan Kuciak e a sua namorada.

Cerca de 25 mil pessoas concentraram-se na capital Bratislava para condenar a corrupção e homenagear as duas vítimas.

À manifestação de pesar juntou-se o presidente da República, Andrej Kiska: «Estou aqui convosco para prestar homenagem aos dois jovens, Jan e Martina», declarou o chefe de Estado perante a multidão, antes de se cumprir um minuto de silêncio.

Acções semelhantes tiveram lugar em mais de 20 outras cidades eslovacas, onde também surgiram memoriais com a foto das vítimas, para deposição de velas e flores.

Os corpos de Jan Kuciak e de Martina Kusnirova, ambos com 27 anos, foram encontrados, dia 25, na casa onde viviam, em Velka Maca, a cerca de 65 quilómetros a Leste de Bratislava. O casal foi abatido a tiro, segundo apurou a polícia, que encontrou munições junto aos corpos.

O crime horrendo chocou o país e voltou a colocar na ordem do dia a questão da corrupção.

Dias depois, o sítio da Internet Aktuality.sk, onde Kuciak trabalhava, revelou que o jornalista estava a investigar actividades da máfia calabresa «Ndrangheta» na Eslováquia e possíveis ligações com o mundo dos negócios e figuras do partido SMER-SD, do primeiro-ministro, Robert Fico.

Fico apressou-se a negar as acusações, anunciando a recompensa no valor de um milhão de euros em troca de qualquer informação que possa ajudar a identificar os autores do crime.

Decidiu também encontrar-se com os responsáveis dos principais órgãos de comunicação social para lhes assegurar que a liberdade de imprensa e a segurança dos jornalistas são «uma prioridade» para o seu governo.

 



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