Os direitos das mulheres são para ser cumpridos
Manifestação do MDM em Lisboa dá voz aos problemas e direitos das mulheres

EMANCIPAÇÃO Sob o lema «Igualdade e justiça social. No presente, com futuro!», Lisboa acolheu, no sábado, 10 de Março, a Manifestação Nacional de Mulheres, onde se denunciou os problemas mais sentidos pelas mulheres do nosso País e se exigiu uma verdadeira política de igualdade.

Integrada nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, a manifestação, que culminou o conjunto de acções realizadas pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM) em todo o País, começou junto ao Monumento dos Restauradores. Dali, mulheres de todas as gerações, muitas jovens, unidas em defesa de interesses e aspirações comuns, seguiram em direcção à Praça do Município (em vez da Ribeira das Naus, devido aos alertas de mau tempo).

Desfile alegre e determinado

A faixa «Igualdade e justiça social. No presente, com futuro!», tomada em mãos por dirigentes do MDM, abria o desfile, que voltou a marcar a história. Seguiu-se a juventude, que «não tem dúvida: a igualdade é um direito». Os núcleos do MDM trouxeram as reivindicações das mulheres: Do Porto chegou a exigência de que é preciso «concretizar os direitos das mulheres na lei e na vida». Noutras mensagens declarava-se a necessidade de «agir contra o tráfico de mulheres» e «um Portugal mais justo e soberano».

Celebrando a luta de cabeça erguida, com alegria e coragem, afirmou-se bem alto: «A igualdade é a razão desta manifestação», «Discriminação salarial só serve o capital» e «Trabalho sim, precariedade não».

Pelo caminho, muitos quiseram documentar o momento em fotografia e vídeo. Junto ao cruzamento da rua do Ouro com a rua da Assunção, aquele mar de gente encontrou uma delegação do PCP, constituída por Jerónimo de Sousa, Manuela Pinto Ângelo, Fernanda Mateus, Armindo Miranda, Margarida Botelho e Luísa Araújo (dos Organismos Executivos) e João Ferreira (do Comité Central, deputado no Parlamento Europeu e vereador na Câmara Municipal de Lisboa). No local, o Secretário-geral sublinhou a solidariedade do Partido para aquela que foi a «maior manifestação de mulheres na luta contra as desigualdades, injustiças e descriminações, pela afirmação do direito a salários mais dignos, de horários mais justos e de combate às discriminações quotidianas que as mulheres portuguesas sofrem».

Continuar Abril

Outros gritos de unidade ecoaram na Baixa lisboeta: «A luta continua, as mulheres estão na rua», «violência conjugal é vergonha nacional» ou «somos muitas, muitas mil, para continuar Abril». A estas, juntaram-se outras urgências, mais específicas, «contra o abandono do interior» (Bragança), por «serviços de obstetrícia permanentes na urgência do CNBM» (Barreiro), «serviços públicos de qualidade» (Beja), «aumento dos salários» (Portalegre) e «emprego com direitos» (Oeiras), mas também em defesa do Serviço Nacional de Saúde (Algarve) e da água pública (Évora).

As bandeiras que assinalavam os 50 anos do MDM – em defesa dos direitos e valorização da mulher – juntaram-se a mais palavras de ordem: «a força de uma data na luta emancipadora das mulheres», «não sou uma mercadoria», «prostituição não é trabalho», «trabalho igual, salário igual».

Luta de todos

A iniciativa – naquela tarde vestida de cinza mas rubra de luta – ficou ainda marcada pela valorização do papel das mulheres na cultura e na preservação do património cultural, bem visível através da participação de grupos de bombos, corais e de cante alentejano, dando mais cor e alegria à jornada.

Com os objectivos desta manifestação que acolhe todos os que defendem a emancipação das mulheres e uma sociedade assente na igualdade, justiça social, desenvolvimento e paz estiveram, entre outras, as associações Portuguesa de Juristas Democratas, Geral das Mulheres Chinesas em Portugal, Distrital de Coimbra de Reformados e Pensionistas, assim como a Confederação MURPI, a Associação de Amizade Portugal-Cuba, a Frente Anti-Racista, o Conselho Português para a Paz e Cooperação, a Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes, a Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, os sindicatos dos Trabalhadores de Arqueologia, de Professores da Região Centro, dos Trabalhadores do Comércio, Escritório e Serviços de Portugal e a Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP-IN.

Construir o presente e o futuro 

Na Praça do Município, Joana Sofia, da Direcção Nacional (DN) do MDM, assinalou que «as mulheres são a maioria dos trabalhadores a tempo parcial», «as que recebem salários mais baixos» e, simultaneamente, «a maioria das consumidoras de antidepressivos deste País». «Queremos ser mães sem ter um medo horrível do futuro», apelou.

Em nome das jovens deste país, a dirigente exigiu «oportunidade de contribuir para tornar este País melhor», «salários justos», «direito a ter férias» e «mais cultura», entre outras matérias.

Joana Sofia dirigiu ainda uma mensagem de paz e solidariedade para com as mulheres da Síria, nos campos de refugiados do mundo, do Saara Ocidental, da Palestina.

Força das mulheres

Rosa Loureiro, delegada sindical e uma das vozes da Gramax (ex-Triumph Internacional), destacou, por seu lado, que a luta desenvolvida naquela empresa é «um grande exemplo da força e determinação das mulheres». «Durante mais de 30 dias, os trabalhadores, maioritariamente mulheres, mantiveram-se em piquete contínuo para assegurar os nossos bens e defender o nosso património», lembrou num discurso muito emocionante. «Não vencemos totalmente a luta», uma vez que «não conseguimos manter os postos de trabalho», lamentou Rosa Loureiro, que no entanto se manifestou convicta de que este «exemplo abriu portas para a alteração, muito necessária, da lei laboral».

Problemas por resolver

Valorizando «a reposição de direitos e as melhorias nas condições de vida de muitas mulheres», possíveis com alteração de forças na Assembleia da República, Sandra Benfica, também da DN do MDM, advertiu que os «problemas que atingem a maioria das mulheres continuam por resolver».

Referia-se ao desemprego, à precariedade, aos baixos salários, à discriminação salarial, à desregulação dos horários de trabalho, às reformas e pensões de miséria, fenómenos que «flagelam terrivelmente a vida das mulheres» e que fazem exigir «uma verdadeira política de igualdade».

A terminar, de olhos postos no futuro, a dirigente anunciou a realização do 10.º Congresso do MDM, em Setúbal, no dia 27 de Outubro. Marcada foi também a próxima Manifestação Nacional de Mulheres, no dia 9 de Março de 2019, em Lisboa.

 



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