Até ao momento nada foi feito
Situação insustentável nos transportes do Tejo

DEGRADAÇÃO A Câmara do Seixal exige que o Governo resolva com urgência os problemas nas ligações fluviais com Lisboa. Fartos de esperar, os utentes agendaram, para ontem, uma concentração e um desfile em Lisboa.

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«Esta é uma situação insustentável», afirmou, quinta-feira, Joaquim Santos, presidente da autarquia, assinalando que naquele dia, 8, as ligações fluviais foram substituídas por ligações rodoviárias. As pessoas «pagam os seus passes mensais para utilizar o barco e não o autocarro», apontou, à Lusa, exigindo do Executivo PS que «cumpra com o prometido». «Até ao momento nada foi feito, apesar de em Junho de 2017 o Ministério do Ambiente ter anunciado um investimento de 10 milhões de euros para o plano de manutenção da frota de navios da Transtejo e Soflusa», acrescentou, pedindo explicações sobre se a verba está a ser aplicada e qual o motivo que leva a que existam tantas avarias nas embarcações.

Sem condições
Estas declarações foram feitas no dia em que as comissões de utentes os Transportes do Seixal e do Cais do Seixalinho foram recebidas na Assembleia da República (AR), depois de entregarem uma petição com mais de quatro mil assinaturas a reclamar respostas para acabar com as más condições de travessia do Tejo.

No dia 5, os utentes estiveram reunidos com Heloísa Apolónia, deputada do Partido Ecologista «Os Verdes». «Existe uma degradação continuada na Transtejo e na Soflusa. Os horários não são cumpridos, os navios estão degradados, tem havido um paupérrimo investimento na manutenção e reparação e são suspensas diversas carreiras todos os dias», criticou a ecologista, garantindo que vai questionar o Governo sobre os problemas nas empresas responsáveis pelas ligações fluviais no rio Tejo e que vai preparar um projecto de resolução para apresentar na AR.

Luta de todos
Sob o lema «Navegar é preciso», os utentes do Montijo, Seixal e Barreiro agendaram para ontem, 14, uma concentração, ao final da tarde, junto ao Cais do Sodré. Previsto estava, também, um desfile até ao Ministério das Finanças, com o objectivo de entregar a Mário Centeno uma carta aberta onde é dada a conhecer a situação caótica que se vive no transporte fluvial no rio Tejo e exigir orçamentação das empresas públicas da Transtejo e da Soflusa.

Solidários com os utentes

A Comissão Concelhia do Montijo do PCP distribuiu, recentemente, um comunicado aos utentes do Cais do Seixalinho onde alerta para a situação «muito precária» na Transtejo, «sem embarcações de reserva, com falhas constantes do serviço, suprimindo ligações e gerando atrasos».

Considerando «importante» o anúncio da compra de dez barcos (que ainda não se concretizou), os comunistas – em nota de imprensa divulgada no dia 9 – referem, no entanto, que a decisão é insuficiente. No «imediato» exigem a admissão dos trabalhadores em falta, nomeadamente da manutenção e marítimos; que se adquira as peças e sobressalentes necessários à manutenção corrente das embarcações; que sejam reparados e saiam do estaleiro os navios que lá estão e entrem outros que estão parados.

O PCP defende que é «urgente e determinante» o desassoreamento do rio, situação que também é responsável por algumas das avarias das embarcações.




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