• Carlos Gonçalves

«Antes de o ser já o era»

PS, PSD e CDS rejeitaram as alterações à legislação laboral propostas pelo PCP. Impediram a queda de normas gravosas de exploração dos trabalhadores e de chantagem do grande capital – caducidade da contratação colectiva, desregulação dos horários de trabalho. Impediram a reposição de direitos fundamentais, comprovadamente essenciais à melhoria das condições de vida e ao desenvolvimento do País.

O PS, «antes de o ser já o era», fez o mesmo de sempre nestas matérias, votou em conformidade com a sua opção de classe, de alinhamento e submissão aos constrangimentos e imposições da UE e do euro.

Houve quem manifestasse uma certa desilusão – «sentimos da parte do Governo uma incapacidade para perceber» dizem os senhores que acordaram com o PS o Salário Mínimo de 580 euros e que esperam que passe uma sua proposta, em detrimento das substanciais apresentadas pelo PCP. Mas não há hipocrisia ou surpresa possível.

O PS percebeu tudo, sabe que a correlação de forças permitiria erradicar a regressão civilizacional na legilação laboral imposta pelas troikas nacional e estrangeira, mas o PS e o seu Governo minoritário optam pela política de direita e convergem com PSD e CDS no fundamental.

O PCP concluiu no XX Congresso – «... o PS, ainda que com hesitações e contradições, acabou por contribuir para se abrir uma nova fase na vida política nacional ... (o) que não transforma o PS num partido portador de uma política de esquerda, não altera a natureza da sua política e opções programáticas, características da política de direita ...».

A luta continua. Pela valorização dos trabalhadores. Sem deperdiçar nenhuma oportunidade na defesa e conquista de direitos, mas com a assumida urgência de uma política patriótica e de esquerda.




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