O aumento de pessoas sem-abrigo reflecte a degradação social na UE
Número dos sem-abrigo aumenta na Europa

HABITAÇÃO Cerca de 11 milhões de famílias na Europa não têm habitação, pernoitando na rua, em albergues ou em casa de alguém, revela um estudo de organizações que trabalham com os sem-abrigo.

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«Em 220 milhões de famílias, perto de 11 milhões encontram-se em privação severa de habitação, ou seja, não têm residência própria, vivem na rua, num albergue social ou alojam-se em casa de terceiro», refere o estudo da Fundação Abbé-Pierre (FAP) e da Federação Europeia das Organizações Nacionais que trabalham com os Sem-Abrigo (FEANTSA), divulgado dia 21.

«A definição de sem-abrigo pode não ser a mesma de um país para outro, mas em toda a Europa os aumentos [desta população] são enormes», explicou Sarah Coupechoux, da Fundação Abbé-Pierre.

Entre 2014 e 2016, a população sem-abrigo na Alemanha aumentou 150 por cento; na Irlanda, 145 por cento (2014-2017); no Reino Unido, 169 por cento (2010-2017); na capital da Bélgica, Bruxelas, 96 por cento (2008-2016); na Espanha, 20,5 por cento (2014-2016); na França, 17 por cento (2016-2017).

Entre todos os países europeus, apenas a Finlândia reduziu o número de sem-abrigo, tendo registado uma descida de 18 por cento entre 2009 e 2016.

«Os finlandeses prosseguiram uma política baseada no princípio de “primeiro a casa”».

Esta política, acrescentou Sarah Coupechoux, inclui a prevenção de despejos e uma rápida intervenção sempre que alguém perde a habitação, atribuindo-lhe um alojamento condigno e evitando que tenha de recorrer ao alojamento de emergência.

O relatório também refere que a explosão dos preços da habitação em toda a Europa, não acompanhada pelo aumento dos rendimentos, tem penalizado os inquilinos.

Entre 2010 e 2016, o aumento do custo da habitação, seja casa própria ou alugada, ultrapassou os 20 por cento em metade dos estados-membros da União Europeia.

Os aumentos mais acentuados observaram-se na Bulgária (54%), no Reino Unido (45%), em Portugal (40%) e na França (21,5%), refere o relatório.

No conjunto da União Europeia, 11 por cento das famílias e 14 por cento dos jovens entre os 18 e os 24 anos são forçados a despender mais de 40 por cento dos seus rendimentos para custear uma habitação.




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