Greve histórica na Ryanair

A greve dos tripulantes de cabine da Ryanair tornou-se histórica, quer por ser a primeira que ocorre na transportadora aérea multinacional de baixo custo, quer pelo muito elevado índice de adesão, afirmou Bruno Dias, deputado do PCP, que se reuniu com dirigentes sindicais e outros trabalhadores em luta, no dia 29, quinta-feira, na sede do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).

Bruno Dias deu conta da pergunta escrita que, horas antes, tinha dirigido ao ministro do Trabalho, exigindo a intervenção da ACT (que veio a concretizar-se durante a tarde) face às grosseiras violações da lei da greve por parte da companhia com sede na Irlanda.

O SNPVAC (sindicato sem filiação em centrais, desde que, em 2015, abandonou a UGT por decisão de mais de 80 por cento dos associados) convocou greves para 29 de Março, 1 de Abril (Domingo de Páscoa) e ontem, dia 4, para exigir que a Ryanair cumpra a legislação laboral nacional, respeitando os direitos de parentalidade e a garantia de ordenado mínimo, e que retire processos disciplinares que levantou devido a baixas médicas ou vendas a bordo abaixo dos objectivos estipulados.

No domingo, em declarações à agência Lusa, Vasco Cardoso, da Comissão Política do PCP, solidarizou-se com as reivindicações «justíssimas» dos tripulantes e criticou a falta de uma intervenção determinada do Governo, «para impedir que aviões que não deveriam estar no ar estejam a voar com tripulações que são de substituição de grevistas».

Ilegalidades deste tipo foram denunciadas pela presidente do SNPVAC. À agência Lusa, Luciana Passo comentou um caso em Espanha (ameaça de despedimento de uma trabalhadora, por se recusar a ir trabalhar no Porto), admitindo que situações semelhantes ocorreram na Holanda e em França.

Estas pressões e ameaças terão levado este e outros sindicatos a avançarem na discussão de uma eventual greve na Ryanair em vários países.




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