Imperialistas sem provas promovem guerra global

SÍRIA Mais de 15 anos depois da segunda agressão ao Iraque, voltam a ser usados falsos argumentos para justificar uma guerra. Desta feita contra a Síria, bombardeada por EUA, Grã-Bretanha e França faz amanhã uma semana.

Os pretextos invocados superam a mentira sobre as armas de destruição massiva que posteriormente se veio a saber que Bagdad não detinha. As consequências da repetição de uma aventura militar de grande envergadura podem arrastar o mundo para uma catástrofe de proporções incalculáveis. Este foi um cenário que se temeu no passado fim-de-semana e que não está de todo afastado (como aliás alerta o PCP em nota divulgada sábado, 14, que publicamos nestas páginas).

No domingo, 15, Vladimir Putin alertou que «se [as potências imperialistas] prosseguem com estas acções em violação da Carta das Nações Unidas, conduzirão inevitavelmente ao caos nas relações internacionais». Esta posição foi acompanhada pela China, país que, com a Bolívia, se manifestou em defesa do direito internacional e da resolução pacífica do conflito sírio na sessão do Conselho de Segurança da ONU, convocada de emergência na sequência dos bombardeamentos realizados entre sexta-feira, 13, e sábado, 14.

Factos irrefutáveis contradizem Washington, Londres e Paris, que alegam que a Síria terá procedido a um bombardeamento com agentes tóxicos em Douma, a 7 ou 8 de Abril. O ataque que levaram a cabo foi, segundo dizem, uma retaliação e um aviso para o futuro.

O bombardeamento aconteceu quando, a convite da Síria e com garantia de total liberdade de movimentos em Douma (entretanto libertada de terroristas pelo exército sírio), inspectores da OPAQ estavam a caminho do país para averiguar as acusações imperialistas. Anteontem, a Síria informou que os peritos já se encontram no terreno e a Rússia assegurou a protecção da equipa.

Grotesco

Os especialistas da OPAQ vão tentar apurar a existência ou inexistência de vestígios da utilização de armas químicas em Douma, bem como recolher relatos. Damasco e Moscovo, com particular ênfase, afirmam que a narrativa não passa de uma montagem. Esta versão ganha consistência à medida que surgem testemunhos que denunciam que as imagens divulgadas pelos Capacetes Brancos são uma fabricação, pese embora Donald Trump, Teresa May e Emmanuel Macron insistam em apresentar como «prova» o vídeo e os seus autores.

Os Capacetes Brancos há muito que estão desmascarados e descredibilizados, comprovado que está o seu financiamento pelo imperialismo e a sua ligação íntima aos que vêm actuando na Síria, desde 2011, sob bandeiras de conveniência – da Frente al-Nusra, do Estado Islâmico ou do chamado Exército Sírio Livre. Protagonistas de «operações de salvamento» surgem nas acções terroristas mais cruéis e nos festejos dos bandos extremistas. As suas produções, disponíveis na Internet, chegam a roçar o grotesco, tais são as evidências da colocação de supostas vítimas de pretensos ataques químicos em diferentes locais e períodos, a preparação de cenários e, até, erros de «coreografia» como «defuntos» que se mexem sob as mortalhas. São chocantes a manipulação de crianças, de feridos, de enfermos; a instrumentalização do medo, do terror e do sofrimento para intoxicar a opinião pública.

Ganhar a paz

Em Portugal, a CGTP-IN, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, e o Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC) tornaram públicas posições de repúdio face ao bombardeamento imperialista e de solidariedade para com o martirizado povo sírio.

O CPPC convocou para hoje, às 18h00, em Lisboa, um acto público pela paz e pelo fim da agressão à Síria.

 



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