• Ângelo Alves

Pinhal do Rei

Um canal de televisão emitiu uma reportagem de investigação que reafirma a tese da origem criminosa do fogo que destruiu mais de 80% da Mata Nacional de Leiria. Segundo a reportagem tudo terá sido combinado entre empresários, nomeadamente ligados ao comércio de madeira. A data do incêndio terá sido acordada, assim como o preço da madeira queimada, numa cave de um restaurante da região.

Para quem, como o PCP, falou com muitas pessoas e instituições locais nos dias a seguir ao terrível incêndio, estas revelações não são surpresa. Foram-nos relatados vários factos que dão crédito à hipótese de fogos posto. Aliás a tese da «mão criminosa» já tinha sido avançada em Janeiro com base em declarações da PJ de Leiria.

Como já referiu o PCP o esclarecimento tem que ser levado até às últimas consequências. Contudo, esse esclarecimento não deve e não pode apagar o essencial: a responsabilidade de sucessivos Governos que não cumpriram com as suas obrigações de garantir meios técnicos, científicos, humanos e financiamento para cuidar, limpar, ordenar e vigiar as matas nacionais públicas e garantir o funcionamento de várias estruturas como o ICNF. Foi o desinvestimento público no Pinhal do Rei que esteve na origem da dimensão catastrófica do incêndio.

Conhecer a verdade é importante. Mas tão ou mais importante que isso é tomar medidas para que esses crimes não se voltem a repetir. Passados seis meses da catástrofe, e a dois meses da mais perigosa altura do ano, não se conhece o célebre plano para o Pinhal, não foram aplicadas medidas, nem atribuídas verbas e meios humanos e técnicos necessários para evitar novas catástrofes. Se esta situação não se inverter o Governo caminha a passos largos para se confirmar como cúmplice deste e de próximos crimes.

 



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