- Edição Nº2316  -  19-4-2018

Comércio em luta até ao 1.º de Maio

REIVINDICAÇÃO Os grandes grupos que dominam o negócio dos super e hipermercados remetem para a APED a negociação dos cadernos reivindicativos. A associação patronal põe condições inaceitáveis.

A quinzena de luta no sector da grande distribuição comercial, iniciada no dia 9 e que termina amanhã, vai ter continuação, culminando a 1 de Maio, com uma greve que visa também confirmar o Dia Internacional dos Trabalhadores como feriado e jornada maior de festa e de luta.

Plenários, concentrações e greves têm estado a decorrer, dando seguimento a uma luta prolongada e persistente, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal. Ao dar conta das acções agendadas para estes dias, o CESP/CGTP-IN recordou que os trabalhadores lutam por:
Resposta das empresas aos cadernos reivindicativos;
Revisão do contrato colectivo de trabalho do sector, mas sem a redução do valor do trabalho suplementar e em dia feriado e sem o «banco» de horas, exigidos pela APED;
Aumento dos salários de todos os trabalhadores e fim da tabela B (com valores mais baixos, aplicada na maioria dos distritos);
Equiparação da carreira profissional dos operadores de armazém à carreira dos operadores de supermercado (loja);
Encerramento do comércio no 1.º de Maio.

No plenário nacional de representantes, a 16 de Março, onde foi decidido realizar a quinzena de luta, foi avaliada a evolução dos salários e da inflação, concluindo-se que, com perdas acumuladas de 3831 euros e 10,28 por cento, desde 2010, quando teve início o bloqueio patronal da contratação colectiva, cada trabalhador (operador especializado da tabela A) perdeu por ano o equivalente a um salário.
No reverso, as principais empresas acumulam milhões de euros de lucros, ano após ano.

Greves vêm à rua

Ao fim da manhã de quinta-feira, 12, em dia de greve, trabalhadores do Grupo Auchan (que detém, entre outras, as marcas Jumbo, Box e Pão de Açúcar) concentraram-se em Alcântara junto à sede da empresa. A luta, como se refere na resolução ali aprovada, visou exigir resposta às reivindicações entregues em Novembro e protestar contra a recusa de um compromisso patronal quanto a aumentos salariais.
Esta matéria é remetida pelo grupo para a negociação do contrato colectivo com a APED. Mas «a Auchan, como vice-presidente da APED, tem grandes responsabilidades no arrastar da negociação» e «na chantagem de fazer depender a negociação da redução do valor do trabalho suplementar e do trabalho em dia feriado e da introdução do “banco” de horas no contrato».
No documento, o Grupo Auchan é acusado de não cumprir a lei e o contrato colectivo, por impor oscilações diárias nas escalas dos horários de trabalho, por praticar horários entre a uma e as seis horas da madrugada, por recusar horários flexíveis a trabalhadoras e trabalhadores com responsabilidades familiares, por recusar o pagamento dos tempos acumulados de trabalho além do horário normal, para finalização de tarefas.

Muito semelhantes são os problemas que motivaram a greve, anteontem, dia 17, no Pingo Doce e, em geral, no Grupo Jerónimo Martins Retalho (lojas e armazéns). O protesto foi levado até junto da sede do grupo, no Campo Grande, em Lisboa, onde ao fim da manhã decorreu uma concentração. Ali foi lembrado que o grupo ocupa a presidência da APED.
Pressionados pela luta, os patrões fizeram alterações nos salários, categorias e carreiras, em Outubro de 2017, mas os valores foram «insuficientes» e os aumentos «discriminatórios». O CESP assinalou que «nem sequer foram cumpridos na totalidade» os «critérios duvidosos» definidos pela empresa.

Os trabalhadores do LIDL fazem greve ao trabalho suplementar, de 11 a 30 de Abril. O CESP convocou plenários nos entrepostos desta cadeia alemã no Linhó (Sintra), no Ribeirão (Braga) e em Torres Novas (dia 13, com a participação do Secretário-geral da CGTP-IN). Foi também convocada greve para 29 e 30 de Abril (domingo e segunda-feira), realizando-se no último dia uma concentração na sede da empresa, no Linhó.

Para amanhã, dia 20, está convocada greve nas lojas Continente e nas áreas logísticas da Sonae. Às 11h30, o CESP promove uma concentração junto à sede do grupo, na Maia. Em greve amanhã estarão igualmente os trabalhadores do El Corte Inglés em Vila Nova de Gaia.

A realização de uma greve na FNAC foi admitida no primeiro dos plenários de trabalhadores, dia 10, no armazém em Alverca. Nesta quinzena foram ainda agendados plenários nas lojas FNAC nos centros comerciais Chiado, Colombo, Vasco da Gama, Almada Fórum, Cascais Shopping e Évora Plaza.

Outros plenários de trabalhadores tiveram lugar no Jumbo de Portimão, em armazéns da Well's (Sonae) e da Jerónimo Martins (Azambuja, Alfena, Modivas), nas lojas Pingo Doce de Lavra (Matosinhos), Estrada D. Miguel (Gondomar) e Boavista (Porto), no LIDL de Viana do Castelo e nas lojas ALDI em Alverca e Portimão.