É com a luta que os trabalhadores e os povos resistem
Abril anima luta por melhor presente e futuro

REVOLUÇÃO Portugal não está condenado à submissão a imposições externas e aos interesses do grande capital, defende o PCP, que encara os «avanços» depois de 2015 como «ponto de partida» para novas lutas.

Esta foi uma das ideia fortes que esteve presente na intervenção proferida pelo deputado comunista Paulo Sá, na Sessão Solene da Assembleia da República que assinalou esta terça-feira os 44 anos da Revolução do 25 de Abril.

«Os avanços alcançados nos dois últimos anos e meio não são o ponto de chegada; são o ponto de partida de novas lutas para conquistar novos avanços, são o ponto de partida para a afirmação e construção de uma política alternativa patriótica e de esquerda», afirmou o parlamentar do PCP, para quem a melhor forma de comemorar a Revolução de Abril é «projectar os seus valores e conquistas no presente e no futuro de Portugal».

Da tribuna, onde predominava o vermelho dos cravos, todos os partidos usaram da palavra, numa sessão em que intervieram também o Presidente da AR, Eduardo Ferro Rodrigues e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Altas figuras do Estado estiveram igualmente presentes, bem como militares de Abril, além de numeroso público nas galerias.

Abordando questões centrais do momento político, Paulo Sá expressou a discordância do PCP pela opção do Governo em de canalizar os recursos orçamentais disponíveis para a redução acelerada do défice e da dívida, em vez de os mobilizar para «dar resposta aos problemas das pessoas, investindo nos serviços públicos, no SNS e na Escola Pública, na protecção social, nos transportes públicos, na floresta e no mundo rural, na cultura, ciência e investigação, na segurança e na justiça».

Sem deixar de valorizar as medidas de defesa, reposição e conquista de direitos e rendimentos possibilitadas pela nova correlação de forças na AR, que responderam a «problemas urgentes dos trabalhadores e do povo», o deputado comunista eleito pelo Algarve anotou contudo que estão «aquém daquilo que seria necessário e possível».

E se não se vai mais longe, na sua perspectiva, isso apenas é devido «às opções do PS e do seu Governo, que, em convergência com PSD e CDS, mantêm o seu compromisso com os interesses do grande capital e a sua submissão às imposições do Euro e da União Europeia».

Valores perenes

Antes, Paulo Sá assinalara os dias luminosos em que as massas populares e os militares de Abril «forjaram a aliança Povo-MFA e partiram à conquista de uma nova sociedade», homenageou os resistentes antifascistas e a sua corajosa luta pela liberdade, lembrou as «decisivas e profundas transformações» que «construíram a mais avançada, mais progressista e mais democrática organização social que alguma vez Portugal teve».

Conquistas nos direitos políticos, económicos, sociais e culturais, todas elas «alcançadas pela luta dos trabalhadores, das massas populares e do movimento sindical, em aliança com os militares do MFA», que vieram a ter consagração na Constituição, recordou Paulo Sá, lembrando ainda que, apesar do fogo cerrado de quatro décadas de política de direita para as limitar ou eliminar, sobretudo na vigência do governo PSD/CDS – «num verdadeiro ajuste de contas com o 25 de Abril», frisou –, na sua maioria resistem e são a base do regime democrático.




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