Aumentos salariais seriam quatro vezes superiores se reflectissem produtividade dos últimos 16 anos

Os aumentos dos salários na União Europeia seriam quatro vezes mais altos se tivessem acompanhado o aumento da produtividade nos últimos 16 anos, conclui um estudo da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), divulgado dia 19 pela Lusa.

Com base em dados apurados pelo Instituto Sindical Europeu (ETUI) e pela CES, constata-se que na Europa a produtividade «tem aumentado muito mais do que os salários».

Entre 2000 e 2016 a produtividade aumentou três vezes mais do que os salários na Alemanha e na Croácia e duas vezes mais na Polónia e na Bélgica.

Na Áustria a produtividade teve um aumento 65 por cento superior ao dos salários, em Espanha 60% e nos Países Baixos 30%.

Na Alemanha a produtividade cresceu 13 por cento enquanto os salários cresceram apenas quatro por cento, na Holanda a produtividade aumentou 15 por cento e os salários subiram 12 por cento, na Croácia a produtividade cresceu 42 por cento e os salários 11 por cento.

Em países como a Hungria, Roménia, Portugal e Grécia verificou-se mesmo um decréscimo dos salários reais, apesar de a produtividade ter aumentado.

Com efeito, no nosso País a produtividade cresceu 18 por cento no período em análise, mas os salários caíram três por cento.

Na Roménia o crescimento da produtividade foi de dez por cento, enquanto os salários caíram 15 por cento.

Tendo a conta a discrepância verificada entre produtividade e salários a CES defende a necessidade da negociação colectiva com vista a aumentar os salários em toda a União Europeia.

Desde há anos que «os salários estão na cauda da produtividade», declarou Esther Lynch, secretária confederal da CES, notando que, por esta razão, os trabalhadores não recebem uma justa parte do valor que produzem».

«É preciso haver uma negociação colectiva justa entre sindicatos e empregadores em toda a Europa para que haja aumentos salariais dignos e adequados. Os governos e instituições europeias deveriam fazer todos os possíveis para fomentar e proporcionar as negociações salariais», afirmou a confederação sindical em comunicado.




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