«Não haverá espaço para uma restauração capitalista», notou Díaz-Canel
Díaz-Canel assume presidência de Cuba assegurando a continuidade revolucionária

CUBA Miguel Díaz-Canel foi eleito para a chefia do Estado e do governo de Cuba, fez ontem uma semana, garantindo que as conquistas e o rumo de emancipação e soberania são para continuar. Jerónimo de Sousa enviou ao novo presidente cubano uma saudação.

Formado em Engenharia e dirigente do Partido Comunista de Cuba, Miguel Díaz-Canel dissipou, logo na sua primeira intervenção perante a Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP) enquanto chefe de Estado e de governo, especulações sobre o futuro político e social da ilha socialista. Entre agradecimentos e referências ao caminho, conquistas e papel assumido pela histórica geração de revolucionários que, em 1959, arrancou Cuba do lugar de prostíbulo caribenho e «quintal» açucareiro do imperialismo norte-americano, colocando o país no topo do desenvolvimento civilizacional em diversos domínios – pese embora o mais amplo e prolongado bloqueio de que há registo, imposto pelos EUA, o qual todavia prossegue condicionando o desenvolvimento económico e social do território – Miguel Díaz-Canel deixou claro que «não há espaço para uma transição que destrua o que se alcançou em tantos anos de luta».

«Neste legislatura não haverá espaço para os que aspiram a uma restauração capitalista», insistiu noutra passagem da sua intervenção perante os deputados, convocando, por outro lado, o povo a manter vivos princípios que permitiram vencer e resistir, entre os quais sublinhou a «modéstia, o desinteresse, o altruísmo e a solidariedade».

Ao povo, Miguel Díaz-Canel prometeu que «a essa confiança que nos entregam com o seu voto», responderemos «trabalhando». Do mesmo modo, do mandato sufragado decorre que «jamais cederemos ante pressão ou ameaça», pelo que «as mudanças que sejam necessárias» vão continuar a ser decididas «de forma soberana pelo povo cubano».

Exemplo

O novo presidente da República de Cuba é o primeiro no mais alto cargo da nação nascido depois da revolução. Esse aspecto não deixou de ser notado pelo próprio, designadamente pelo facto de cerca de 90 por cento dos actuais 605 deputados cubanos (cuja média etária é de 49 anos, sendo que 42 por cento assumem o mandato pela primeira vez) terem igualmente nascido após 1 de Janeiro de 1959.

À geração histórica de revolucionários, no entanto, está reservado um papel central na vida política de Cuba. Particularmente a Raúl Castro, que se mantém como primeiro secretário do PCC e, bem assim, a «encabeçar as decisões de maior transcendência para o presente o futuro», afirmou Díaz-Canel.

Raúl Castro, que em dez anos na presidência de Cuba conduziu inéditas actualizações do modelo económico e social resultantes de um debate de profundidade e democraticidade exemplares, deixou claro, no seu discurso perante a ANPP, que será «um soldado mais junto ao povo na defesa da revolução». Enquanto dirigente máximo do partido, Raúl Castro assegurou que a este terá como prioridade a preservação da unidade.

No próximo mês de Julho, anunciou, por outro lado, Raúl Castro, será presente ao parlamento um projecto de reforma constitucional, mas este, sublinhou, não colocará em causa o carácter socialista do texto fundamental. Do mesmo modo que a actualização do modelo económico e social prosseguirá sem «terapias de choque que atinjam os mais desfavorecidos».

Saudação do Secretário-geral

Conhecida a eleição de Miguel Díaz-Canel para a presidência de Cuba, o Secretário-geral do PCP endereçou-lhe uma saudação na qual transmitiu fraternas felicitações e manifestou votos de sucesso no desempenho do mais alto cargo do Estado Cubano.

Na missiva cujo conteúdo foi divulgado na página do Partido na Internet, Jerónimo de Sousa salientou, ainda, que esta «eleição culmina um processo eleitoral de exemplar participação, em si mesmo uma poderosa afirmação do sentido patriótico e consciência revolucionária, do carácter da revolução cubana e do apego do povo cubano aos valores do socialismo».

Saudando igualmente o Partido Comunista de Cuba e o seu primeiro secretário Raúl Castro, o Secretário-geral do PCP expressou «a todo o povo cubano, a solidariedade dos comunistas portugueses e a sua determinação em prosseguir a luta pelo fim das ingerências, campanhas e ataques à República de Cuba, desde logo do criminoso bloqueio dos EUA».



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