O patrão da Amazon foi recebido com protestos em Berlim
Trabalhadores da Amazon protestam na Alemanha contra condições laborais

EXPLORAÇÃO Centenas de trabalhadores da Amazon manifestaram-se, dia 24, em Berlim, contra as condições laborais e salariais praticadas pela multinacional do comércio na Internet.

O protesto foi promovido pelo sindicato alemão dos serviços, Ver.di, por ocasião da deslocação à capital germânica do patrão do grupo, Jeff Bezos, para receber um prémio atribuído pelo grupo de comunicação social Axel Springer.

«Temos um patrão que quer americanizar as condições de trabalho em todo o mundo. Isso significa um regresso [às] do século XIX», declarou Frank Bsirske, dirigente do Ver.di, que considerou a atribuição do prémio como uma «provocação» da parte da Axel Springer.

Na concentração junto à sede do grupo de comunicação, cerca de 800 trabalhadores, munidos com apitos e tambores, exigiam remunerações justas: «Make Amazon pay» («Façam a Amazon pagar»), lia-se em cartazes e faixas empunhados pelos manifestantes.

Os trabalhadores vieram das seis unidades do grupo norte-americano na Alemanha, bem como de Itália e Polónia, onde os conflitos laborais também se agudizam devido às condições impostas pela multinacional.

Todos os anos a Axel Springer, proprietária do diário Bild, o jornal com mais expansão na Alemanha, distingue personalidades que se destacaram no campo da inovação.

No entanto, Andreas Nahles, recém-eleita presidente do Partido Social-Democrata (SPD), e parceira no governo de Angela Merkel, fez questão de afirmar que Jeff Bezos «não merece qualquer prémio» devido, entre outras razões, às más condições de trabalho que a sua empresa pratica na Alemanha.

A concentração em Berlim visou também «denunciar as práticas ilegais e as condições laborais desastrosas». A propósito da acção o sindicato francês CFDT referiu a existência de «numerosos acidentes de trabalho não declarados» e casos em que os empregados «são controlados informaticamente e sofrem penalizações com base nestes registos».

O descontentamento na Amazon já se traduziu em várias greves na Alemanha, onde a empresa emprega 12 mil pessoas para dar resposta ao seu maior mercado fora dos EUA.

Mais recentemente, em Março, os trabalhadores das filiais em Espanha fizeram greve pela primeira vez, em protesto contra o novo convénio colectivo.




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