- Edição Nº2320  -  17-5-2018

Britânicos exigem melhores salários e direitos laborais

LONDRES Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se, dia 12, em Londres para exigir um novo pacto para o povo trabalhador, numa acção nacional promovida pela confederação de Sindicatos.

Com cartazes e entoando palavras de ordem e cânticos, famílias e trabalhadores de vários sectores, incluindo professores, enfermeiros e carteiros, desfilaram pelo centro de Londres até à zona do Hyde Park.

No local houve discursos de dirigentes sindicais e políticos, incluindo do líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, que interveio em defesa dos direitos dos trabalhadores e contra as políticas dos conservadores.

«Nesta manifestação de hoje trata-se de direitos laborais, de empenho colectivo, mas é acima de tudo uma declaração de que estamos aqui para lutar o tempo que for preciso pela justiça social», disse o dirigente trabalhista, que acusou o governo conservador de promover o congelamento dos salários e cortes nos serviços públicos.

A manifestação foi convocada pela confederação sindical TUC, que pede «um novo pacto para o povo trabalhador», designadamente o aumento do salário mínimo, a proibição de contratos de «zero horas» – que não oferecem quaisquer garantias nem direitos – e maior investimento na educação e na saúde.

«Há um novo clima no país. As pessoas têm sido muito pacientes, mas agora pedem um novo pacto», declarou a dirigente sindical Frances O'Grady.

A dirigente recordou que «a compressão salarial é a pior dos últimos dois séculos. A recuperação dos salários desde a crise está a demorar mais tempo do que após a “Grande Depressão” e a II Guerra Mundial».

«Isto significa que as famílias passam dificuldades. Milhões de crianças vivem na pobreza apesar de os seus pais trabalharem», disse ainda O’Grady.

Por ocasião da manifestação, o TUC divulgou um estudo para mostrar que «os salários dos funcionários sofrem a maior estagnação da história moderna».

Segundo o estudo, dez anos após a crise financeira global, os trabalhadores britânicos ganham em termos reais menos 24 libras por semana (27 euros) do que em 2008 e não se espera que os salários regressem aos níveis anteriores antes de 2025.