• Carlos Gonçalves

A árvore e a floresta

A corrupção enche a comunicação social dominante, não devido à sua gravidade mas sim pela mistificação ditada pela política de direita e o poder económico-mediático, que fazem de cada «caso» ferramenta de ocultação, manipulação e chantagem.

Nas fases decisivas da luta de classes, quando a consciência social se transforma em mobilização e alavanca de futuro os «casos» de corrupção sistémica são manipulados como ferramentas de confusão e conformismo.

Assim se forjou a maior de todas as tretas, a de que «são todos iguais». Mas não. O flagelo social da corrupção é intrínseco à lógica do lucro máximo, à acumulação e concentração capitalistas, ao domínio do poder político pelo económico, às forças da política de direita, aos «VIP da porta giratória» de administradores a ministros e vice versa.

Está por fazer o registo dos bandidos e acólitos do PSD, CDS e PS, do tráfico de influências, corrupção e demais crimes económicos, em prejuízo do País e benefício do «bezerro de ouro». Passaram por Soares, Cavaco e Portas, pelas privatizações, as «vacas gordas» da CEE e as troikas de Sócrates e Passos Coelho, etc.

Contra este paradigma, o PCP esteve sempre na luta para mudar as coisas, como agora propôs que a Comissão de Inquérito às rendas da EDP fosse alargada a outros sectores estratégicos da economia.

Mas como se não bastasse o CDS mentir que «a corrupção não é uma inevitabilidade do sistema», o PSD fugir às rendas dos monopólios e usar Pinho e Sócrates para se branquear, e o PS esconder as suas ligações ao capital com a «vergonha» pelo ex-ministro «independente», o BE veio impedir um inquérito alargado, em nome da eficácia (!).

Todos eles a apontar a árvore para esconder a floresta da corrupção capitalista.




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