«Luz Obscura» é obra de arte que nos toca

Depois de ter participado em cerca de 20 festivais internacionais, o filme estreou no passado dia 10 em Lisboa (Cinema Ideal) e no Porto (Cinema Trindade). Na capital, a apresentação pública, para além da realizadora – também autora de «Natureza Morta» (2005) e «48» (2010) – contou com a presença de Jerónimo de Sousa e de outros dirigentes do PCP.

O filme centra-se no núcleo familiar do dirigente comunista Octávio Pato (1925-1999) que, no regime fascista, se viu obrigado a passar à clandestinidade e, nessa situação, enfrentou as mais duras condições, privações e violência repressiva. Octávio Pato, como refere a nota do Secretariado do Comité Central do PCP aquando do seu falecimento, «era membro do PCP desde 1941, funcionário do Partido desde 1945 e membro do Comité Central desde 1949. Iniciou a sua actividade revolucionária aos 15 anos na Federação da Juventude Comunista Portuguesa», foi, ao longo de toda a vida, um «alto exemplo de grande figura da resistência e combate à ditadura fascista e da construção do Portugal democrático saído da Revolução de Abril com uma vida inteira generosamente dedicada à luta dos trabalhadores e do povo português pela liberdade, pela democracia e pelo progresso social, à afirmação na sociedade portuguesa dos ideais do socialismo e do comunismo e ao fortalecimento do PCP como uma grande força democrática e revolucionária».

O filme conta com a participação directa de Álvaro Pato, Rui Pato e Isabel Pato, os seus três filhos nascidos na clandestinidade, com relatos e experiências enquanto crianças e jovens em diversas situações da vida clandestina e da luta contra o fascismo.

Rasgar a obscuridade
O filme de Susana de Sousa Dias é feito de retratos de pessoas,
perdidas na obscuridade, evocando esta memória já longínqua numa autêntica obra de arte.

«Luz Obscura» já foi distinguido com a Menção Especial do Júri da Competição Internacional de Longas-Metragens da DocumentaMadrid e recebeu o Prémio de Melhor Som no Festival Caminhos do Cinema Português e Prémio Especial do Júri do Filme Histórico, no festival Les Rendez-vous de l'histoire.

O filme é apresentado amanhã, 25, em Vila Franca de Xira, às 21 horas, pelo Museu do Neo-Realismo, no âmbito do Ciclo de Cinema Realismos Contemporâneos, com a presença da realizadora.

 



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