• Ângelo Alves

Eleições foram monitorizadas por 150 observadores internacionais
«Lamentável»

As eleições presidenciais na Venezuela constituíram um exercício de participação popular e democrática de enorme relevância para a Venezuela e o seu povo e uma vitória para todos aqueles que prosseguem a luta de resistência contra as agressões, ingerências e manobras do imperialismo.

Segundo dados oficiais participaram nas eleições mais de nove milhões e trezentos mil cidadãos, 46,1% dos eleitores inscritos. As eleições venezuelanas foram monitorizadas por cerca de 200 observadores internacionais, realizadas em 34 143 mesas de voto, distribuídas por 14 638 centros eleitorais. Foram organizadas pela Comissão Nacional Eleitoral da Venezuela de acordo com estipulado na lei e na Constituição e realizadas por meio de exemplares mecanismos de controlo de cadernos eleitorais e de voto que combinam o método tradicional com o voto electrónico, num sistema considerado por muitos como um dos melhores e mais fiáveis do mundo. A segurança das eleições foi assegurada por 300 000 efectivos militares, os centros de votação abriram à hora prevista e encerraram quando já não havia eleitores em fila para votar, como estava previsto e como sempre aconteceu nos 24 processos eleitorais realizados desde 2000. Esta é a realidade das eleições venezuelanas que a comunicação social dominante e os inimigos da Venezuela – um dos processos mais escrutinados do mundo por eleições – tentam esconder.

A participação nas eleições (46,1%) foi inferior à das eleições de 2013. Esse é um dos factos aduzido por aqueles que tudo fizeram para boicotar as eleições e que afirmaram a priori que não iriam reconhecer os seus resultados, e que agora se arvoram em paladinos da participação eleitoral para tentar deslegitimar as eleições venezuelanas.

Mas esses são os mesmos que são eleitos em eleições com elevadas percentagens de abstenção, ou mesmo por uma minoria de votantes como é o caso de Trump; são os mesmos que, como no Brasil chegaram ao poder por via de golpes e prendem opositores políticos; ou são aqueles que na União Europeia lidam com percentagens de abstenção de mais de 60%, que impõem governos e interferem nas eleições, que prendem e perseguem representantes democraticamente eleitos e que várias vezes repetiram referendos até o resultado ser o «correcto».

Mas se a baixa de participação eleitoral era a cartada dos inimigos da Venezuela e da democracia, saiu-lhes o tiro pela culatra. Analisando os números é fácil concluir que cerca de 80% do aumento da abstenção resulta da queda livre do principal candidato da dita «oposição», que perde cerca de 5 500 000 votos; e que as forças bolivarianas, apesar da guerra económica, de todo o arsenal de propaganda, manobras de ingerência, ameaças e chantagens sobre o povo venezuelano, mantêm o essencial da sua base de apoio eleitoral.

Só uma consciência profunda do que está em causa na Venezuela e um genuíno apoio popular ao processo bolivariano pode explicar que, num quadro de grandes dificuldades económicas e de brutal pressão externa, se tenham realizado estas eleições, com estes resultados. É por isso que «lamentável» é a atitude do ministro dos Negócios Estrangeiros português, que mais uma vez se põe do lado da mentira, da ingerência e do imperialismo.




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