- Edição Nº2322  -  30-5-2018

Linha Circular do Metropolitano é uma opção errada para Lisboa

MOBILIDADE A construção da Linha Circular não corresponde à melhor opção para o alargamento do Metropolitano na capital. Em causa está a qualidade de prestação deste serviço público.

A denúncia parte, desta vez, da Comissão de Utentes dos Transportes de Lisboa (CUTL), que condena a opção do Governo de transformar as linhas Verde e Amarela numa Linha Circular entre o Campo Grande e o Cais do Sodré, criando duas novas estações (Estrela e Santos) e reduzindo a Linha Amarela à ligação Telheiras/Odivelas.

«Vários especialistas em mobilidade e transportes têm-se manifestado para tentar travar esta opção do Governo, apoiada apenas pela Câmara Municipal de Lisboa (CML)», por ser «um mau investimento público, cuja construção se baseia em argumentos tecnicamente mal fundamentados», sublinham os utentes, em nota divulgada no dia 15 de Maio.

Esta é uma «má opção técnica, com curvas e declives que poderão contribuir para piores índices de fiabilidade e manutenção» e, do ponto de vista do planeamento da mobilidade da cidade de Lisboa, vai «degradar ainda mais a oferta de transporte de Metro à população da Zona Norte de Lisboa e, também, de Odivelas e Loures, servidas pela Linha Amarela, com uma mudança de comboio obrigatória no Campo Grande para qualquer trajecto de ligação às zonas mais centrais da cidade», adianta a comissão.

«Péssima ideia»
Este é um problema que há muito tem vindo a ser apontado pelos comunistas de Lisboa, que, no quadro da campanha distrital por «Mais e melhores transportes públicos», afirma que a Linha Circular é uma «péssima ideia», uma vez que «vão ser desperdiçados os recursos que fazem tanta falta para contratar trabalhadores, comprar peças e equipamentos, planear a expansão da rede que sirva os utentes».

No início do ano, os vereadores do PCP na CML apresentaram uma moção defendendo que o Governo suspenda o projecto da Linha Circular. Em alternativa, defenderam, deveriam ser iniciados «os procedimentos necessários à expansão da rede do Metro para a zona Ocidental da cidade, com carácter prioritário, bem como à concretização faseada de outras soluções anteriormente estudadas (como as ligações transversais entre linhas ainda não concretizadas)», e também «iniciar a expansão da rede do Metro para a ligação a Loures, igualmente com carácter prioritário». A moção foi chumbada pelo PS, tendo contado com a abstenção do BE e do PSD, acabando por chumbar dois dos pontos deliberativos.

30 carruagens paradas

Em diversas iniciativas e acções, a CUTL tem vindo a denunciar a brutal degradação do serviço prestado pelo Metro, resultado das políticas de desinvestimento desenvolvidas por sucessivos governos.

As críticas estendem-se ao actual Executivo. «Continuam a ser adiadas respostas urgentes e necessárias aos problemas dos transportes públicos», condenam os utentes. Para o Metro de Lisboa exige-se a «reparação e manutenção das linhas e material circulante, designadamente a reposição das 30 carruagens paradas», a «contratação de todos os trabalhadores em falta», a «redução dos tempos de espera e o fim das constantes “perturbações” nas linhas» e o «funcionamento regular em todas as linhas, acabando com os percursos alternados e com as habituais reduções do serviço nos períodos de Verão».

A «manutenção e reparação das escadas rolantes e elevadores», que «sejam feitas todas as intervenções e obras necessárias para assegurar mais e melhores acessibilidades», a «realização das obras de melhoramento nas várias estações degradadas ou a necessitar de intervenção» e que «seja garantido o fornecimento de bilhética e se promova a redução dos preços», são outras das reivindicações da comissão.

Problemas em todo o País

Por todo o País há situações a exigir pronta resolução para garantir a mobilidade e a defesa dos interesses dos utentes e da economia nacional, como o PCP não se tem cansado de denunciar.

Distrito de Évora não pode ficar a ver passar comboios!

Para que o distrito de Évora «não fique a ver passar comboios», o PCP apresentou, no dia 23 de Maio, dois projectos de resolução na Assembleia da República, onde se recomenda ao Governo PS que a futura linha ferroviária entre Sines e a fronteira do Caia, perto de Elvas, contemple o transporte de passageiros e tenha três cais de cargas e descargas no distrito de Évora, entre outras propostas.

Em conferência de imprensa realizada no mesmo dia em Évora, João Oliveira, deputado do PCP eleito pelo círculo de Évora, insistiu que deveria ser definido «um plano para o desenvolvimento do transporte ferroviário de passageiros no plano regional», sugerindo a «articulação do novo eixo com a rede existente no distrito» e, até, «a possibilidade de reactivação» de linhas. «Julgamos que pode ser uma forma de garantir um aproveitamento integrado do investimento e que este investimento ferroviário não fica apenas limitado ao trânsito de Sines para Espanha e de Espanha para Sines», referiu, citado pela Lusa.

Transporte de mercadorias
O outro projecto de resolução, adiantou João Oliveira, propõe a «possibilidade de carga e descarga de mercadorias em três pontos essenciais» no distrito: Vendas Novas, Évora e Alandroal. «Que se identifique tecnicamente o que é mais adequado e corresponde melhor às necessidades do transporte de mercadorias em cada um dos pontos», reivindicou, sublinhando que a solução deve «passar pela construção de uma estação ou aproveitamento de uma estação técnica como pela criação de um cais».

João Oliveira justificou as paragens em Vendas Novas e Évora devido às suas «componentes de produção industrial, mas também agrícola», e em Alandroal porque «poderia ser muito positivo» para o sector do mármore e das rochas ornamentais.

Também no caso das mercadorias, realçou, deveria ser elaborado «um plano de desenvolvimento», que considere «todo o impacto e dimensão regional de aproveitamento deste investimento» e a possibilidade de «reactivação, recuperação ou ampliação da rede ferroviária já existente».

O líder da bancada do PCP defendeu também o aproveitamento do material depositado nas escombreiras das pedreiras da região para a construção da linha ferroviária, dando, assim, «um contributo» para a economia local e para a resolução de um problema ambiental.

Linha do Oeste de mal a pior

A Comissão para a Defesa da Linha do Oeste considera «inaceitável» que a CP esteja a equacionar a supressão dos comboios inter-regionais entre as Caldas da Rainha e Coimbra, e vice-versa, já a partir de 10 de Junho, o que «irá, inevitavelmente, agravar ainda mais a grave situação deste eixo ferroviário, sujeito a recorrentes supressões nos horários das ligações regionais, desde o início de 2017».

A medida, segundo os utentes, poderá representar «mais uma machadada» na Linha do Oeste no que toca ao número de passageiros que a utilizam, «já que a supressão dos comboios inter-regionais e a sua substituição por uma ligação das Caldas da Rainha a Bifurcação de Lares, e vice-versa, representará certamente um aumento do tempo de percurso, para além do desconforto da mudança de composição».

Entretanto, uma petição com mais de quatro mil assinaturas vai dar entrada, em breve, na Assembleia da República (AR), exigindo que o Governo e a CP tomem urgentes medidas para a aquisição de novas composições ferroviárias para a Linha do Oeste.

Protesto contra degradação
Para hoje, 30, às 18h30, está agendado um protesto, junto à estação das Caldas da Rainha, promovido pela Comissão de Utentes da Linha do Oeste, com o apoio da Fectrans e do seu sindicato ferroviário (SNTSF).

Alertas na Linha do Sado

Heloísa Apolónia, deputada do Grupo Parlamentar «Os Verdes», entregou, no dia 21 de Maio, na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através do Ministério do Planeamento e das Infra-Estruturas, sobre questões de segurança, durante o período nocturno em que circulam comboios, a falta de funcionários nas bilheteiras e abandono de estações na Linha Ferroviária do Sado.

No documento refere-se, por exemplo, entre outros aspectos, que «ficaram por electrificar 30 metros da linha de acesso às oficinas da EMEF no Barreiro, intervenção essencial para que o material circulante nessa linha pudesse ser aí reparado».

«Gravíssimos problemas» para o Porto Santo

A CDU alertou para a possibilidade de em Junho não «existir um serviço aéreo inter-ilhas» devido aos atrasos na conclusão do concurso público, em regime de concessão, para os serviços aéreos regulares na ligação Porto Santo/Funchal/Porto Santo. Tal situação colocaria «gravíssimos problemas para a economia turística» e impediria a «mobilidade no interior do território nacional».

Em nota de imprensa divulgada na quinta-feira, 24 de Maio, a Coligação PCP-PEV – acusando os governos da República e da Região de «atentado contra a economia da ilha do Porto Santo» e de «desrespeito grosseiro pelo interesse público» – exige que «seja retomada aquela que deveria ser a normal possibilidade de marcação de viagens aéreas inter-ilhas».