Gustavo Petro terá de assegurar o apoio de amplos sectores democráticos
Petro disputa presidência contra um Duque uribista

COLÔMBIA No próximo dia 17 de Junho os colombianos voltam às urnas para escolher para presidente Iván Duque ou Gustavo Petro, que passaram à segunda volta depois do sufrágio de domingo, 27.

LUSA


A escolha, mais do que entre dois candidatos, é entre dois projectos distintos: um que defende o retrocesso no acordo de paz alcançado entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo, convertidas no partido político Força Revolucionária Alternativa do Comum, e o governo colombiano liderado por Juan Manuel Santos; e aquele que assenta na viragem de página do conflito a construção de um país novo.

Os resultados finais do sufrágio presidencial divulgados pela entidade eleitoral colombiana, indicam que o candidato do Centro Democrático, Iván Duque, apoiado pelos ex-presidente Álvaro Uribe e Andrés Pastrana, todos defensores da guerra, obteve 7 567 361 votos, o equivalente a 39,1 por cento. Gustavo Petro, por seu lado, recolheu 4 850 397, que representam 25,1 por cento. Viu assim garantida a sua presença na segunda volta das presidenciais, agendadas para 17 de junho.

Para chegar a chefe de Estado e de governo, o ex-guerrilheiro (Movimento 19 de Abril) e ex-presidente da Câmara Municipal de Bogotá tem de derrotar um Duque uribista, o qual pode vir a granjear apoio dos eleitores que optaram por Gérman Vargas Lleras, um calculista de direita, ambicioso, que se demarcou habilmente do acordo de paz e que obteve nesta primeira volta 7,3 por cento dos boletins (1 407 487 milhões de votos), quedando-se em quarto lugar.

Por outro lado, Gustavo Petro terá de assegurar o apoio de amplos sectores democráticos que votaram em Sérgio Fajardo (23,7 por cento ou 4 588 299 votos) e em Humberto de la Calle (2,1 por cento ou 399 100 votos), ganhando-os para que não se abstenham e, ao invés, se manifestem nas urnas favoráveis à proposta central da sua campanha: avançar em paz.

Perigo maior

Praticamente desde a subscrição dos acordos de paz que a sua legitimidade e implementação estão a ser colocadas em causa, explicita ou implicitamente, por aqueles para quem o militarismo era a via a seguir independentemente das consequências que tal acarretasse para a Colômbia e os estratos populares colombianos. Não é por isso de estranhar que o tema domine a vida política colombiana e, sobretudo, que se observe quotidianamente ameaças à paz.

Ainda a semana passada o presidente Juan Manuel Santos reconheceu que, desde a assinatura dos acordos «foram assassinados 40 membros das FARC». No total, entre ex-guerrilheiros, activistas e dirigentes políticos, sindicais e sociais, e defensores dos direitos humanos e comunitários, a cifra ultrapassa os 280 mortos, revelou, também a semana passada, um relatório elaborado com o contributo de diversas entidades. Naturalmente, Santos descartou as responsabilidades que lhe atribuem a guerrilha e organizações de defesa da paz, mas a verdade é que só a muito custo avançam a integração dos antigos combatentes e o combate e desmantelamento do aparelho repressivo e ideológico que durante anos promoveu a liquidação de qualquer oposição ao regime colombiano.

O perigo maior na pacificação da Colômbia pode, no entanto, vir de fora do país. Ou melhor dizendo, ter sido convidado a entrar pelo ainda chefe de Estado e de governo. No sábado, 26, à margem de comentários sobre a adesão da Colômbia à OCDE, Juan Manuel Santos anunciou que iria formalizar dentro de dias o pedido de integração do país na NATO, na categoria de «sócio global». Conhecida a oposição dos EUA ao acordo de paz e a liderança destes na Aliança Atlântica (para já não falar no envolvimento das suas estruturas na liquidação de importantes dirigentes militares das então FARC-EP), tal não sugere facilidades na conquista de um futuro de progresso e paz na Colômbia e na região.



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