EUA vetaram resolução que pedia protecção dos palestinianos
Palestina na ONU denuncia crimes de Israel

OCUPAÇÃO O representante da Palestina nas Nações Unidas defendeu a criação de um mecanismo internacional para proteger o seu povo, que sofre há décadas a violenta ocupação de Israel.

Lusa


O embaixador da Palestina, Riad Mansur, ao dirigir-se ao Conselho de Segurança, na sexta-feira, 1, depois do veto dos Estados Unidos ao projecto de resolução que pedia protecção para os palestinianos, denunciou os abusos de Telavive e pediu acções urgentes para lhes pôr termo.

A faixa de Gaza e Jerusalém Oriental enfrentam uma grave crise com a continuação do uso letal da força por Israel contra a população palestiniana, realçou o diplomata. Reclamou medidas urgentes para pôr fim ao bloqueio israelita e levantar as restrições de movimentos em Gaza, tendo em vista restabelecer a circulação de pessoas e mercadorias. E insistiu que Israel, apesar da impunidade de que goza há demasiado tempo, deve prestar contas pelos seus crimes na Palestina.

Os EUA vetaram no Conselho de Segurança uma resolução apresentada pelo Kuwait pedindo medidas para proteger os palestinianos, após semanas de violência em Gaza das forças israelitas, fortemente armadas, contra manifestantes civis, incluindo mulheres e crianças. Dez dos 15 membros votaram a favor da proposta e quatro abstiveram-se. Os EUA, com direito a veto, foram o único país a votar contra.

O texto proposto pelo Kuwait lamentava o «excessivo, desproporcionado e indiscriminado» uso de força pelas tropas de Israel contra os palestinianos dos territórios ocupados. Pedia a adopção de medidas para garantir a segurança e protecção dos palestinianos e para pôr fim às restrições impostas ao acesso à faixa de Gaza. Na versão inicial, depois alterada, apelava ao «envio de uma missão internacional e protecção» para aquele território.

Solução de dois estados

No debate que precedeu a votação da proposta kuwaitiana, a maioria dos membros do Conselho de Segurança defendeu a solução de dois estados, de acordo com as fronteiras estabelecidas antes de 1967 e com Jerusalém Oriental como capital da Palestina.

Aliás, a recente decisão dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e transferir para a cidade a embaixada gerou mais instabilidade na zona e desencadeou uma onda de protestos dos palestinianos em Gaza.

A repressão das forças militares causou 118 mortos e milhares de feridos civis desde 30 de Março, quando começaram os protestos palestinianos da «Grande Marcha de Retorno». Só a 14 de Maio, aniversário dos 70 anos de Israel, as tropas ocupantes massacraram 55 civis. Depois disso, a 29 de Maio e a 3 de Junho, a força aérea israelita bombardeou diversos alvos em Gaza, alegadamente instalações militares do Hamas.

Em Nova Iorque, o representante permanente russo na ONU, Vassily Nebenzia, considerou que uma alternativa pacífica para Israel e Palestina pode ser a chave para resolver outros conflitos no Médio Oriente.

O embaixador da Rússia – país que em Junho preside ao Conselho de Segurança – reafirmou a solução de dois estados como «a única possível» e esclareceu que Moscovo mantém relações com Telavive mas apoia o fim da ocupação da Palestina por Israel.

No Cairo, o enviado especial da China para o Médio Oriente, Gong Xiaosheng, declarou que um acordo político é a única solução para o conflito israelo-palestiniano. Manifestou-se preocupado com a grave situação na Palestina, sublinhando que Pequim defende a solução de dois estados e um acordo entre as duas partes através de negociações pacíficas.

Gong realizou uma viagem pela Palestina, Israel e Egipto e manteve conversações com responsáveis dos três países sobre a escalada de tensão na região




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